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Paris: proibição de veículos é “medida de emergência” para combater maior pico de poluição dos últimos dez anos

THOMAS SAMSON/AFP/Getty Images

Na passada terça-feira foram proibidos de circular os carros com matrícula ímpar. Esta quarta-feira foi a vez dos de matrícula par. Para encorajar mais pessoas a deixarem o carro em casa, os transportes públicos na cidade e nos seus subúrbios são gratuitos

Pelo segundo dia consecutivo, o trânsito em Paris está condicionado devido ao pico de poluição mais elevado na cidade nos últimos dez anos. Uma camada cinzenta de ar poluído paira sobre a cidade e tem sido motivo de preocupação sobre a saúde pública.

Os especialistas alertam que este forte nível de poluição atmosférica pode manter-se pelo menos por mais um dia, mas não descartam a possibilidade de se prolongar por mais tempo. Se a qualidade do ar não melhorar, o presidente da câmara da cidade, Michel Cadot, assegurou que a proibição da circulação de veículos será posta em vigor também durante quinta-feira, escreve o jornal “The Guardian”.

Com vista a baixar o nível de poluição, esta quarta-feira, das 05h30 até às 00h (04h30 às 23h em Portugal), os veículos com matrícula par foram impedidos de circular na cidade de Paris. Na terça, os que possuem matrícula ímpar já haviam sofrido esta proibição. Quem desrespeitar esta medida terá de pagar uma multa no valor de 22 euros. Para compensar os automobilistas, mas também para incentivar um menor uso de transporte individual, os transportes públicos, quer na cidade, quer nos seus subúrbios, são gratuitos.

Esta medida de circulação alternada trata-se de um dispositivo excecional que foi usado apenas quatro vezes nos últimos 20 anos, na capital francesa, e nunca durante dois dias consecutivos.

“Sem esta medida, o ar estaria ainda mais poluído. É uma solução de emergência para um problema urgente”, explicou Charlotte Songeur da Airparif, associação que monitoriza a qualidade do ar na capital francesa. “Mas mesmo antes deste pico de poluição, 1.6 milhões de franceses estavam a respirar um nível de dióxido de azoto acima dos valores europeus recomendados”, acrescenta, citada pelo “The Guardian”.

Este nível de poluição elevado terá sido causado pelo aumento das emissões de partículas, relacionadas com aquecimentos que usam lenha, e tráfego automóvel, conjugados com condições meteorológicas favoráveis à sua manutenção junto ao solo, como pouco vento e contraste de temperaturas, escreve a Lusa, apoiando-se na explicação dada pela Airparif.

De acordo com o presidente da Câmara, a continuação destas condições meteorológicas e das emissões de gases poluentes vai levar à permanência desde nível elevado de poluição.

O nível máximo recomendado de poluição por partículas – 80 microgramas por metro cúbico de partículas finas no ar – foi ultrapassado na quinta-feira passada, tendo atingido o valor de 146. Esta quarta-feira o nível era de 91.

Um nível elevado de gases poluentes e partículas finas na atmosfera podem causar cancro, asma, alergias, problemas respiratórios e doenças cardíacas. Sébastien Vray, presidente do grupo “Respire”, revelou que, por ano, verificam-se 48 mil mortes prematuras em França devido à poluição do ar. “É a terceira maior causa de morte mas os políticos apenas reagem sob pressão da opinião pública”, declarou o presidente à France TV Info, citado pelo “The Guardian”.