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“Ciao a tutti!!! E grazie” diz Renzi aos italianos

ALESSANDRO DI MEO/EPA

Matteo Renzi demitiu-se e desta é para valer. O homem que no passado domingo sofreu uma derrota eleitoral diz que parte feliz: “Recebi milhares de emails e sms. Sou um homem de sorte, cercado por muitos afetos, e por pessoas que se preocupam. No que me toca, termino a tarefa com a aprovação do Orçamento de Estado para 2017”

O Senado italiano aprovou esta tarde o Orçamento de Estado de 2017, deixando o caminho aberto a Matteo Renzi para formalizar a sua demissão.

O Presidente Sergio Mattarella inicia amanhã, quinta-feira, um período de consulta aos partidos para formar Governo. Este periodo termina no próximo sábado.

Cartão publicado a 7 de dezembro, no site oficial do ainda primeiro-ministro Matteo Renzi

Cartão publicado a 7 de dezembro, no site oficial do ainda primeiro-ministro Matteo Renzi

Captura do site http://www.matteorenzi.it (post 456)

No passado domingo, depois de ter perdido o referendo em que apostara a sua continuidade à frente do Governo de Roma, Renzi anunciou que iria demitir-se. Na segunda-feira, depois de ter sido recebido pelo Presidente Mattarella, Renzi recuou e suspendeu a decisão até o Senado aprovar a lei do Orçamento de Estado 2017, o que aconteceu esta tarde.

Renzi já nasceu depois do Maio de 1968 e da Revolução portuguesa de 1974. Foi o mais jovem primeiro-ministro de Itália de sempre, o mais jovem líder do G7, e em 2014 foi considerado a terceir pessoa com mais poder e influência no mundo e menos de 40 anos, pela revista “Fortune”.

2016 começou bem e acabou mal

No início de 2016, tudo indicava que Matteo Renzi poderia levar por diante o seu projeto de reforma do sistema Constitucional. O mais jovem primeiro-ministro de Itália de sempre queria tornar o Estado mais leve, e agilizar o procedimento legislativo.

A 12 de abril, Renzi conseguiu vencer uma etapa determinante deste processo, quando a Câmara dos Deputados aprovou o esboço da revisão da Constituição. Mas isso não chegou para proceder à revisão da Constituição que está em vigor desde janeiro de 1948.

Dois meses depois, as eleições autárquicas não são favoráveis a Renzi. Virginia Raggi é a nova presidente da câmara de Roma, que passa a ser controlada pelo movimento do ex-comediante Bebbe Grillo. Das grandes cidades italianas, só Milão se mantém fiel aos chamados partidos do sistema, entre os quais está o Partido Democrático de Matteo Renzi.

epa

Apesar dos sinais serem menos favoráveis à reforma constitucional que Renzi tanto desejava, não havia como escapar à realização do referendo: A Constituição italiana, redigida poucos anos depois da II Guerra Mundial e do fascismo italiano, tem muitas salvaguardas para proteger o sistema democrático e evitar a todo o custo o regresso a qualquer tipo de ditadura... nem que seja uma ditadura da maioria que não respeite regras democráticas.

O destino de Renzi foi ditado pelo próprio no início deste ano, quando fez depender a sua continuidade no cargo do sucesso do referendo; esqueceu-se de prever que poderia perder popularidade com o passar dos meses...

Ao contrário do que aconteceu nas Presidenciais dos EUA, nas legislativas espanholas ou em muitos outros sufrágios, os italianos acorreram em força às urnas no domingo, 4 de dezembro: 68,48 % da população recenseada foi a votos. A derrota de Renzi foi expressiva apesar de ter obtido 13 milhões de votos; ou seja 40,4% de votos pelo ‘Sim’ à reforma, contra “59,6 % de votos pelo ‘Não’ à mudança da Constituição.

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