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Americanos acreditam em 75% das notícias falsas

KAREN BLEIER/GETTY

Mesmo nos casos em que as notícias falsas não vão ao encontro das suas convicções políticas, os leitores tendem a acreditar nelas. O Papa Francisco recorreu a linguagem extrema para comentar o assunto que considera ser o maior problema que afeta os media atualmente

Os adultos norte-americanos acreditam nas notícias falsas em 75% dos casos, segundo indica o primeiro grande estudo sobre a questão levado a cabo pela Ipsos Public Affairs para a “BuzzFeed News”.

Efetuado após o impacto que até as notícias falsas tiveram nas presidenciais em que Donald Trump venceu Hillary Clinton, os dados para os estudo foram recolhidos entre 28 de novembro e 1 de dezembro junto de 3015 norte-americanos maiores de idade.

As notícias verídicas apresentaram uma credibilidade apenas ligeiramente superior, 83%.

“A eleição de 2016 pode marcar o momento da história política moderna em que a informação e a desinformação se tornaram moeda de troca dominantes”, afirmou Chris Jackson, da Ipsos Public Affairs. “A opinião pública, no modo como surge refletida neste estudo, mostrou que as 'notícias falsas' são recordadas por uma parcela significativa do eleitorado e que aquelas histórias foram vistas como credíveis”, explicou.

O estudo mostrou que aqueles que se identificam como republicanos têm maior tendência em encarar as falsas notícias sobre as eleições como muito ou relativamente fidedignas. Em cerca de 84% dos casos, os eleitores republicanos classificaram os destaques das notícias falsas como fidedignas, o que ocorreu em 71% dos casos com os democratas.

Os leitores tendem a acreditar em histórias falsas, mesmo quando estas não são favoráveis às suas convicções políticas. Os dados indicam ainda que aqueles que citam o Facebook como a sua principal fonte de notícias tendem mais a encarar as falsas como fidedignas, do que aqueles que estão menos centrados na plataforma como fonte informativa.

Entretanto, o papa Francisco comparou o consumo de notícias falsas à “coprofilia”, perversão que consiste num grande interesse sexual por fezes. Pedindo desculpa pelo recurso à terminologia que poderá chocar muita gente, o chefe da Igreja Católica lançou uma advertência para os jornalistas e para os responsáveis dos media.

“Eu penso que os media têm que ser muito claros, muito transparentes, e não caírem na – não querendo ofender ninguém . Doença da coprofilia, ou seja, em estarem sempre a querer a divulgar os escândalos. Relatando história escabrosas, mesmo quando que elas não sejam verídicas (…) E uma vez que as pessoas têm uma tendência para a doença da coprofagia, muito dano pode ser causado.

O papa afirmou ainda que a propagação da desinformação será “provavelmente o maior dano que os media podem fazer”, frisando que é pecado difamar pessoas.