Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Supremo Tribunal brasileiro afasta presidente do Senado

Michel Temer conversa com o ex-presidente José Sarney

FERNANDO BIZERRA JR

Renan Calheiros, do PMDB e próximo do Presidente brasileiro Michel Temer, foi constituído arguido por suspeita de peculato e é alvo de outras 11 investigações do Supremo no âmbito da operação Lava Jato

O Supremo Tribunal Federal do Brasil decidiu esta terça-feira afastar provisoriamente Renan Calheiros da presidência do Senado. A informação foi avançada à agência Lusa por fonte da mais alta instância judicial do país, que explicou sob anonimato que a decisão "liminar" (provisória) de afastar o membro do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) foi tomada pelo juiz Marco Aurélio Mello, em resposta a um pedido do partido Rede Sustentabilidade.

O afastamento de Calheiros, que ainda pode ser chumbado ou pelo contrário aprovado em plenário do Supremo, surge depois de o mesmo tribunal ter decidido, na quinta-feira passada, sentar o senador no banco dos réus por suspeita de peculato. Mello tomou a decisão por entender que o senador não pode continuar num cargo da linha sucessória da Presidência da República agora que foi constituído arguido.

A decisão provisória, que apenas afasta Calheiros da liderança da câmara alta do Congresso e não do seu cargo enquanto senador, vai agora ser votada pelos onze juízes do Supremo em plenário. Será substituído por Jorge Viana (Partido dos Trabalhadores), primeiro vice-presidente do Senado. Em nota enviada à imprensa, a assessoria de Calheiros disse que "o senador consultará seus advogados acerca das medidas adequadas em face da decisão contra o Senado Federal".

Próximo do Presidente brasileiro Michel Temer, Calheiros está a ser alvo de outras 11 investigações a decorrer no Supremo por suspeita de desvio de dinheiro público e outros crimes, a maioria delas no âmbito da Operação Lava Jato, ligada a casos de corrupção na estatal Petrobras. Em junho, Sérgio Machado, ex-senador tornado delator da Lava Jato, tinha denunciado que uma grande fatia dos subornos de 70 milhões de reais (20 milhões de euros) pagos a três altos dirigentes partidários próximos de Temer foram para Calheiros.