Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Human Rights Watch denuncia tortura contra suspeitos de corrupção na China

O combate à corrupção é uma medida central do governo de Xi Jinping

© Bogdan Cristel / Reuters

Pequim está a aplicar um sistema de detenções ilegais para manter os suspeitos presos indefinidamente até confessarem

A China está a aplicar um sistema ilegal de tortura e detenções para extrair confissões de suspeitos de corrupção, segundo um relatório da Human Rights Watch. Espancamento, indução de stress, privação de sono e celas solitárias são algumas das metodologias de tortura utilizadas pelos responsáveis para forçar confissões dos prisioneiros. As medidas ilegais da temida Comissão de Inspeção Disciplinar, implementadas nas prisões chinesas, já levaram à morte de 11 prisioneiros.

Em causa estão as medidas anticorrupção do Presidente Xi Jinping, que já castigaram mais de um milhão de membros do Partido Comunista desde 2013. Segundo o chefe de Estado, a guerra contra a corrupção é um “assunto de vida ou morte”, mas vários especialistas caracterizam-na como uma guerra política contra opositores políticos.

“A tortura de suspeitos com objetivo de obter confissões não vai acabar com a corrupção, vai sim acabar com qualquer confiança no sistema judicial chinês”, afirmou Sophie Richardson, a diretora da China na Human Rights Watch.

Antigos prisioneiros descreveram a sua estadia numa prisão chinesa como uma “ida ao inferno”. Uma testemunha contou que foi mantida acordada durante 23h seguidas por dia, obrigada a ficar em pé, com um livro equilibrado na cabeça. Após oito dias de tortura, o prisioneiro confessou “tudo aquilo que quisessem”.

“Se te sentares, tens de estar sentado 12h seguidas. Se te levantares, tens de estar levantado 12h seguidas”, afirmou um ex-prisioneiro, segundo o relatório.

A Human Rights Watch apela à abolição das medidas de tortura e afirma que para o combate à corrupção ser bem sucedido é necessária uma “robusta proteção dos direitos dos suspeitos”.