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Internacional

Egito: detidos 45 elementos da “maior rede internacional de tráfico de órgãos”

Desesperados para pagarem dívidas, terem dinheiro para comer ou para emigrar, alguns cidadãos compelidos a venderem os seus órgãos, como rins e fígado, em transacções ilícitas, que frequentemente tinham como destinatários finais estrangeiros ricos. Entre os detidos há médicos, enfermeiros e professores

As autoridades egípcias prenderam 45 pessoas esta terça-feira, suspeitos de estarem envolvidos na “maior rede internacional de tráfico de órgãos humanos”, como refere a Autoridade de Controlo Administrativo, um organismo estatal anticorrupção egípcio. Entre os detidos encontram-se médicos, enfermeiros e professores de medicina de várias universidades públicas, mas também intermediários, traficantes e compradores.

O organismo em questão revelou em comunicado, citado pelo jornal espanhol “El Mundo”, que esta rede de tráfico humano é constituída por egípcios e árabes que se “aproveitavam das dificuldades económicas de alguns cidadãos para comprarem os seus órgãos por pouco dinheiro, que vendiam em seguida por quantidades exorbitantes”.

A investigação, que envolveu o Ministério da Saúde, teve como alvo um grupo de hospitais privados e centros de saúde, licenciados e não licenciados, nos quais se realizam transplantes e recolha de órgãos, como escreve a Reuters. As autoridades apreenderam ainda computadores e documentos numa dezena de instituições.

A agência noticiosa refere ainda que as autoridades terão encerrado os centros envolvidos e os médicos foram suspensos de funções enquanto decorrer a investigação. Alguns profissionais de saúde detidos trabalhavam em instituições médicas de renome no Cairo, segundo a Reuters.

A detenção desta terça-feira segue-se a anos de preocupação sobre o tráfico ilegal de órgãos no Egito, país que, em 2010, figurava no top cinco dos países com maior tráfico, a par com a China, o Paquistão, as Filipinas e a Colômbia, segundo dados da Organização Mundial de Saúde.

Em 2012, António Guterres, que na altura desempenhava o cargo de Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, mencionou que alguns migrantes da península de Sinai no Egito estavam a “ser mortos para o tráfico de órgãos”.