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Alemanha: Merkel é reeleita presidente da CDU e quer proibir o uso de véu islâmico

KAI PFAFFENBACH / REUTERS

Merkel foi reeleita líder dos democratas-cristãos pela nona vez, mas obteve a percentagem mais baixa desde que é chanceler. Depois de ter dado asilo a quase um milhão de refugiados, Merkel prevê agora adotar uma política mais restritiva

A chanceler alemã Angela Merkel foi reeleita presidente da União Democrata-Cristã (CDU) esta terça-feira com 89.5% dos votos de quase 1000 delegados. A votação decorreu durante o congresso do partido em Essen. Como nos anos anteriores, a líder dos democratas-cristãos não teve concorrentes e vai agora iniciar novo mandato de dois anos.

No seu discurso de intervenção no congresso antes da sua eleição, Merkel assumiu uma posição mais dura em relação à política de imigração. "Uma situação como a do verão de 2015 não deve e não pode repetir-se", referiu a chanceler, citada pelo jornal britânico “The Guardian”, que acrescentou ainda que cada pedido de asilo deverá merecer uma análise mais profunda porque “nem todos podem ficar”.

A chanceler quer ainda proibir o uso do véu islâmico que cobre a cara nos locais públicos “onde seja legalmente possível”. Uma proibição total, no entanto, violaria a Constituição alemã. Como justificação, Merkel aponta que “o véu que cobre a cara inteira é inapropriado” e que não faz parte da cultura alemã. De acordo com o “The Guardian”, a moção com a proposta da proibição está prevista ir a votos esta semana. Em França, o uso do véu integral foi proibido em espaços públicos em 2011.

Merkel enfrenta também um duro desafio com a ascensão do novo partido anti-imigração de extrema-direita, Alternativa para a Alemanha (AfD). A Chanceler tem sofrido uma onda de impopularidade pela sua política generosa de asilo a refugiados, que permitiu a entrada de cerca de um milhão de refugiados na Alemanha. Não obstante, Merkel já prometeu que os números-recorde de entrada de refugiados na Alemanha no ano de 2015 não se vão repetir.

A líder dos democratas-cristãos, partido de centro-direita, está no poder desde 2005. Será candidata pela CDU a um quarto mandato nas eleições alemãs previstas para setembro de 2017, as quais considera que “não vão ser um passeio” e que vão mesmo ser as “mais difíceis”, porque o país está dividido, escreve a Lusa.