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A histórica e delicada visita de Shinzo Abe a Pearl Harbor

GETTY IMAGES

Primeiro-ministro do Japão será o primeiro líder nipónico a visitar a base naval do Hawai que as forças japonesas atacaram há 75 anos, arrastando os Estados Unidos para a II Guerra Mundial

Quando o primeiro-ministro do Japão visitar a base naval norte-americana de Pearl Harbor, no Hawai, este mês, não vai pedir desculpa pelo ataque de há 75 anos que arrastou os Estados Unidos para a II Guerra Mundial.

A informação foi avançada esta terça-feira por um assessor de Shinzo Abe, que logo a seguir ao natal, entre 26 e 27 de dezembro, vai tornar-se no primeiro líder nipónico a visitar aquele local histórico. A visita histórica, na qual será acompanhado pelo Presidente dos EUA em fim de mandato, Barack Obama tem como propósito "consolar as almas daqueles que morreram durante a guerra", disse Yoshihide Suga em conferência de imprensa.

"Penso que a visita do primeiro-ministro será uma oportunidade para mandar uma mensagem de que a calamidade da guerra não deve ser repetida e para expressar o valor da reconciliação entre o Japão e os EUA", acrescentou o chefe de gabinete de Abe.

A Reuters nota que, embora a ausência de um pedido de desculpas possa desapontar alguns veteranos de guerra norte-americanos, a histórica visita do chefe do executivo japonês servirá para demonstrar que a aliança entre os antigos inimigos segue forte, bem como para reforçar a popularidade doméstica de Abe — atualmente a rondar os 60%, segundo sondagens de opinião recentes.

Especialistas consultados pela agência dizem que, acima de tudo, é uma mensagem indireta à China, o grande rival do Japão na região do Pacífico, e ao Presidente eleito dos EUA, Donald Trump, que durante a campanha apontou a mira também ao Japão pelo que diz ser o aproveitamento dos aliados dos EUA ao nível da defesa sem retorno financeiro pela proteção dos norte-americanos.

A visita acontece sete meses depois de Obama se ter tornado no primeiro Presidente norte-americano em funções a visitar Hiroshima, a cidade que, a par de Nagasaki, foi alvo de ataques com bombas atómicas peloss EUA nos últimos dias da II Guerra Mundial, em 1945.

"A visita a Pearl Harbor tem estado a ser planeada desde que Obama visitou Hiroshima", explica Gerry Curtis, professor emérito da Universidade de Columbia. "É acima de tudo um gesto recíproco e simbólico de que os EUA e o Japão enterraram o machado de guerra. Envia uma mensagem à China sobre a força da relação EUA-Japão e provavelmente também pretende enviar a mesma mensagem a Trump."