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Internacional

Falsa embaixada dos EUA operou no Gana durante dez anos

Aberta em Acra, onde os Estados Unidos têm uma embaixada oficial, a falsa representação era mantida pelas redes de crime organizado do Gana e da Turquia. Em média, cobrava quase seis mil euros pelos seus serviços

Uma falsa embaixada dos EUA no Gana foi encerrada, após dez anos a funcionar de forma regular mas clandestina. O anúncio foi feito na passada sexta-feira pelo Departamento de Estado norte-americano. Três homens foram detidos.

A falsa embaixada operava na capital do país, Acra, onde os Estados Unidos têm uma representação oficial. Aberta apenas três dias por semana –segundas, terças e sextas-feiras – emitia tanto vistos autênticos (embora ilegais) como documentação falsificada, por um preço médio que rondava os 6000 dólares (mais de 5600 euros).

O esquema foi montado pelas mafias da Turquia e do Gana e era mantido com a conivência de alguns agentes da polícia local, graças a uma rede de corrupção que garantia o “fechar de olhos” das autoridades.

Para evitar que a ‘embaixada’ fosse descoberta, ainda que esta funcionasse num edifício onde estava içada a bandeira dos EUA e no seu interior não faltasse sequer uma fotografia de Barack Obama, os seus gestores optavam por publicitar os seus serviços fora de Acra e outras zonas mais remotas do país, assim como na Costa do Marfim e no Togo.

Quando alguém solicitava vistos ou passaportes, os serviços da embaixada alojavam os ‘clientes’ em hotéis da capital, garantindo o seu transporte até à falsa embaixada, onde lhes era então fornecida a documentação. A rede de crime organizado garantia o acesso a papéis autênticos, em branco, que eram depois preenchidos de forma ilegal, mas noutros casos eram entregues certificados falsificados de raiz.

Segundo a informação divulgada, a mesma rede operava outra embaixada falsa, apresentada como uma representação da Holanda.