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Internacional

Demissão inesperada do primeiro-ministro neozelandês

Fiona Goodall/GETTY

John Key diz que o seu cargo implicou muitos sacrifícios familiares e que a sua saída poderá ser benéfica para o Partido Nacional vencer as eleições do próximo ano

Num inesperado passo, o primeiro-ministro neozelandês John Key anunciou na noite deste domingo (madrugada de segunda-feira em Portugal) que vai abandonar o cargo e a liderança do Partido Nacional. Após oito anos enquanto chefe do governo, Key defendeu que é a altura certa para passar a pasta a outro governante.

“Está a ser a decisão mais difícil que alguma vez tomei e não sei o que farei a seguir. Mas às vezes é preciso tomar decisões difíceis para fazer as escolhas certas”, declarou durante uma conferência de imprensa em Wellington.

O primeiro-ministro demissionário sublinhou que o seu cargo implicou muitos sacrifícios para a sua família e que a sua saída poderá ser benéfica para o seu partido vencer as eleições no próximo ano.

“Fiz tudo o que podia nesta função que acalentei, a servir o país que amo. Mas lamento o facto de a minha mulher ter passado muitas noites e fins de semana sozinha. Houve muitas ocasiões importantes para ela em que eu não pude estar presente”, explicou o governante, acrescentando que é a altura certa “para regressar a casa”.

John Key sustentou ainda que os governantes permanecem demasiado tempo nos cargos, esgotando as suas imagens e prejudicando os partidos. “Penso que uma das razões pelas quais os governos perdem o obstáculo da quarta eleição geral é que os líderes não querem abandonar o cargo. Toda a gente diz 'eu já vi isto antes'. Esta é a hipótese para nós [Partido Nacional] mostrarmos agora novidades”, considerou.

John Key deixará de exercer funções enquanto primeiro-ministro no próximo dia 12, quando o Partido Nacional se reunir para escolher o novo líder. O governante fez saber que apoiará o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças Bill English, caso queira avançar para a liderança do Partido Nacional (centro-direita).

É com a popularidade em alta que John Key deixa o cargo, depois de ter ajudado a economia a recuperar da crise financeira mundial de 2008. O seu mandado foi marcado também pela gestão de duas crises: o acidente na mina de Pike River, que causou 29 mortos em 2010, e o sismo que atingiu a cidade de Canterbury, em 2011.

Em março deste ano, o governante mostrou-se desapontado com o resultado do referendo que decidiu, por maioria, manter a bandeira nepzelandesa, que John Key queria modificar por considerar tartar-se de uma “relíquia colonial”.

O primeiro-ministro australiano Malcolm Turnbull já reagiu à demissão do seu homólogo neozelandês, manifestando-se desiludido com a notícia. “É um muito bom amigo. (...) Será uma grande perda para a Nova Zelândia e para o mundo.”