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Referendo em Itália: Renzi demite-se após vitória do ‘Não’

CLAUDIO GIOVANNINI/GETTY

Participação foi de 66,74% e o ‘Não’ terá ganho com mais de 58% dos votos. Tal como tinha prometido, o primeiro-ministro anunciou a sua saída

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, anunciou este domingo à noite a sua demissão, após o 'Não' ter ganho no referendo à reforma constitucional que ele próprio tinha proposto.

"O povo italiano falou inequivocamente. O não ganhou. E aos apoiantes do 'Sim': Assumo toda a responsabilidade pela derrota. Eu perdi, não vocês. Os políticos italianos nunca perdem. Eu sou diferente. Eu perdi e digo-o bem alto, mesmo com um nó na garganta. Não vos pude dar a vitória. Quis cortar as cadeiras, mas a cadeira que salta é a minha. A minha experiência no Governo termina aqui. Vamos embora sem remorsos", disse numa conferência de imprensa no Palácio Chigi, citado pela televisão pública italiana RAI.

Renzi disse ainda que, na segunda-feira, iria encontrar-se com o presidente para apresentar a sua demissão e fez-lhe um elogio: "O país inteiro sabe que pode confiar na liderança forte do Presidente Matarella". O encontro está previsto para as 17h00 (16h00 em Portugal).

O agora ex-primeiro-ministro italiano cumpre, assim, o que tinha prometido caso o 'Não' ganhasse. As contas ainda não são finais, mas as projeções dão uma clara vitória do 'Não' com quase 60% dos votos, como era estimado pelas sondagens dos últimos dias.

Segundo os dados mais recentes, o 'Não' ganhou com 59,1% e o 'Sim' ficou-se pelos 40,9% dos votos, sendo que a participação foi de 65,5%.

Itália entra, assim, numa fase de instabilidade política. Uma das hipoteses em cima da mesa é a de o presidente italiano, Sergio Mattarella, nomear um governo de gestão até às próximas eleições gerais, na primavera de 2018, mas a oposição defende a realização de eleições antecipadas. A avançar-se para o governo de gestão, o ministro das Finanças, Carlo Padoan, é o favorito para substituir Renzi, que sai agora após dois anos e meiode mandato.

Seja como for, este momento de incerteza política terá impactos e um deles é na já debilitada situação económicado país e, mais precisamente, na recpaitalização do terceiro maior banco italiano, Monte dei Paschi di Siena. A recapitalização prevista é de cinco mil milhões de euros e, caso falhe, pode levar a uma nacionalização do banco.

Oposição já se pronunciou

A Liga do Norte e o Movimento Cinco Estrelas, liderado por Beppe Grillo, já se pronunciaram sobre a derrota do 'Não' e a consequente demissão de Matteo Renzi. Já Silvio Berlusconi, que fez campanha pelo 'Não' manteve-se em silêncio. Só o seu partido, Forza Italia, fez um comentário no Twitter, onde se lê que "os italianos resgataram a democracia".

O memso disse Beppe Grillo. “Venceu a democracia. A resposta dos italianos e a afluências às urnas é uma indicação clara. A propaganda do regime e todas as suas mentiras são os primeiros derrotados deste referendo. Os tempos mudaram”, disse no seu blogue, defendendo novamente a rfealização de eleições antecipadas.

Também do Movimento Cinco Estrelas, Luigi di Maio, se mostrou satisfeito com a vitória do 'Não' e disse: “Vamos trabalhar num Governo do Cinco Estrelas”.

O mesmo pansamento de outra dirigente do Movimento, Virginia Raggi, que é também presidente da câmara de Roma. “Agora vamos reconstruir o país", disse.

Já o líder da Liga Norte, Matteo Salvini, disse estar preparado para eleições.

De fora de Itália também já há reacções e é da personalidade europeia que, nos últimos tempos, tem sido mais rápida a comentar estes acontecimentos: a líder da Frente Nacional francesa, Marine Le Pen.

"Os italianos repudiaram a UE e Renzi. É preciso escutar esta sede de liberdade das nações", escreveu na sua conta do Twitter assim que se soube da demissão de Renzi.

(Notícia atualizada à 1h51 com as reacções da oposição e novamente às 5h00 com as projeções mais recentes de votos e participação)