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Internacional

Extrema-direita bate à porta

Norbert Hofer, líder do Partido da Liberdade

LEONHARD FOEGER/REUTERS

Na Áustria, sete sondagens dão a vitória ao candidato da extrema-direita que saiu derrotado em maio. Efeito Trump pode ter ajudado

A Áustria pode tornar-se o primeiro país da Europa Ocidental a eleger um chefe de Estado da extrema-direita desde a II Guerra Mundial. Norbert Hofer, 45 anos, derrotado por apenas 30.863 votos (0,6 por cento) na segunda volta das presidenciais, a 22 de maio, pode agora virar o jogo.

Este técnico de aviação que aos vinte e poucos anos resolveu dedicar-se à política a tempo inteiro está muito perto de fazer história e conduzir o seu Partido da Liberdade (FPO) à presidência. Sete das últimas nove sondagens dão-lhe escassa vantagem face ao candidato da esquerda, Van der Bellen, que viu a sua eleição anulada por irregularidades nas regras de votação por correspondência.

Professor catedrático de economia, o líder do Partido Os Verdes, que concorre como independente, tem apelado à rápida integração e ao reconhecimento dos requerentes de asilo. A nação com 8,7 milhões de habitantes acolheu 120 mil refugiados e migrantes do Médio Oriente, África e Ásia desde o ano passado. No extremo oposto, Hofer mantém um discurso anti-imigração, com um sorriso no rosto e uma retórica bem mais moderada do que a do líder do seu partido, Heinz-Christian Strache.

Antecipando a chegada de Hofer ao poder, politólogos austríacos fazem previsões mais ou menos fatalistas, como a possibilidade de antecipação das legislativas — previstas para o terceiro trimestre de 2018 — o que faria ruir a grande coligação pró-europeia de populistas e social-democratas, atualmente no poder.

Hofer tentou descolar do efeito ‘Brexit’ e abandonou a argumentação da saída do país da UE, substituindo-a pela intenção de realizar um referendo caso a Turquia passasse a integrar a União ou Bruxelas tentasse reforçar o seu poder. E a eleição de Donald Trump será ou não determinante para a vitória do populismo na Áustria?

Foi evidente a colagem do candidato populista ao Presidente-eleito norte-americano quando durante a campanha eleitoral Hofer questionou a saúde de Van der Bellen, à semelhança do que Trump fizera com Hillary Clinton.

A batalha nas urnas será renhida, mas há mais austríacos com dúvidas do que em maio passado, na sequência dos resultados do referendo britânico e das eleições nos Estados Unidos, diz a “Bloomberg”.

Os olhos da Europa estão nesta votação que pode desencadear um efeito dominó nos países que vão às urnas em 2017. Quer Marine Le Pen, a candidata da extrema-direita francesa ao Eliseu, quer o xenófobo Geert Wilders, que anseia chefiar o Governo na Holanda, aproveitam os ventos da vitória de Trump e esperam poder capitalizar votos com a possível vitória de Hofer.