Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

A morte não passou por aqui

ALEJANDRO ERNESTO

Fidel foi finalmente a “enterrar”, em Santiago de Cuba, longe dos olhares do povo e dos jornalistas. Mas continua vivo.

Horas depois da realização da cerimónia fúnebre privada, realizada no cemitério de Santa Ifigénia, o acesso ao local continuava bloqueado. Se nas ruas e nos bairros, as crianças voltaram a jogar à bola, e já não pareciam ser obrigadas a recitar palavras de ordem, poemas ou canções, na televisão, o discurso oficial iniciado há nove dias, continuava a insistir na narrativa única, repetitiva, obsessiva: a de que Fidel não morreu, a de que continua vivo em cada cubano, a de que o seu desaparecimento (morte é uma palavra a evitar) não foi mais do que uma perda física, a de que as suas ideias continuarão para sempre vivas...

A esmagadora operação que agigantou a personalidade do líder cubano e reafirmou os valores da revolução, moveu milhares de pessoas em camiões e autocarros para que não faltasse gente em cada berma de estrada, fabricou novos cartazes, alcatroou vias há muito esburacadas e pediu aos cubanos que se comprometessem com os valores da Revolução, prossegue através da palavra, até à exaustão, na rádio e nas televisões.