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Internacional

Conversa entre Donald Trump e líder de Taiwan censurada pela imprensa chinesa

reuters

A chamada telefónica entre Donald Trump e a Presidente de Taiwan foi hoje censurada pela imprensa chinesa, que preferiu sublinhar a visita a Pequim do ex-secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger, "um velho amigo da China". Desde 1979 que nenhum presidente dos EUA falava com Taiwan.

A chamada telefónica entre Donald Trump e a Presidente de Taiwan foi hoje censurada pela imprensa chinesa, que preferiu sublinhar a visita a Pequim do ex-secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger, "um velho amigo da China".
O telefonema, na sexta-feira, entre o Presidente eleito dos EUA e a Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, não foi referido nos 'sites' da imprensa estatal chinesa e foi censurada na Internet.

Na plataforma de microblogues Weibo -- equivalente à rede social Twitter -- persistiam alguns comentários de internautas a um artigo de um jornal de Hong Kong que escapou à censura. "Que China reconhece Trump? Que astúcia! Devemos parar este presidente empresário", escreveu um internauta.

A conversa entre Trump e Tsai Ing-wen foi o primeiro contacto telefónico deste nível desde que Washington rompeu relações diplomáticas com Taipé, em 1979. A equipa de transição de Trump informou, em comunicado, que o presidente eleito tinha falado por telefone com a mandatária taiwanesa, que felicitou o magnata pela vitória e ambos "abordaram os estreitos vínculos económicos, políticos e de segurança existentes entre Taiwan e os Estados Unidos".

O ex-presidente democrata Jimmy Carter declarou formalmente Pequim como único governo da China em 1979, o que pôs fim às relações diplomáticas formais dos EUA com Taiwan, onde Washington fechou a sua embaixada no ano seguinte.

O gabinete de Trump não esclareceu quem iniciou o contacto, se a chamada foi feita pelo multimilionário ou pela presidente taiwanesa, que chegou ao poder em maio. Os especialistas em política externa afirmam que a chamada poderia alterar as relações entre os Estados Unidos e a China, independentemente de como foi encaminhada.

A China considera a ilha de Taiwan uma província "rebelde" e parte do território sob sua soberania. Após o telefonema, a Casa Branca reiterou que Washington apoia a política da "China única". A imprensa oficial chinesa consagrou as manchetes de hoje ao encontro na sexta-feira entre Xi Jinping e o antigo diplomata norte-americano Henry Kissinger, de 93 anos, que foi o obreiro em 1972 da visita histórica do presidente norte-americano Nixon à China. Kissinger passou a ser qualificado pelo regime comunista como "velho amigo da China".

Kissinger encontrou-se com Donald Trump em Nova Iorque nas últimas semanas, para discutir temas como a China.