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Internacional

Wisconsin começa recontagem de quase três milhões de votos

Andy Manis

Durante os próximos 12 dias, representantes dos 72 condados do estado vão voltar a contar os boletins depositados nas urnas a 8 de novembro, parte de um esforço iniciado pela candidata de Os Verdes, Jill Stein, que diz que os sistemas de voto eletrónico podem ter sido alvo de ciberataques no dia das eleições

As autoridades eleitorais do Wisconsin começaram na quinta-feira a recontar os quase três milhões de votos depositados nas urnas no dia das eleições presidenciais norte-americanas após Jill Stein, a candidata de Os Verdes, ter angariado dinheiro suficiente para dar início ao processo de recontagem naquele e nos estados do Michigan e Pensilvânia.

Ao longo dos próximos 12 dias, representantes dos 72 condados que compõem o Wisconsin vão trabalhar dia e noite (e fins-de-semana) para contarem à mão os boletins de voto que, contas feitas, deram a vitória ao candidato do Partido Republicano, Donald Trump, nas presidenciais de 8 de novembro. Stein começou a recolher dinheiro para este fim há cerca de duas semanas, depois de um grupo de especialistas de computação ter sugerido que as máquinas de votação eletrónica podem ter sido alvos de ciberataques.

Quase ninguém acredita que a recontagem vá reverter o inesperado resultado das presidenciais, que viram Trump derrotar Hillary Clinton há quase um mês — no caso do Wisconsin com mais 22,117 votos que a rival democrata, no caso da Pensilvânia com mais 70 638 votos e no Michigan com mais 10 074 votos. Até esta última margem, mais reduzida, é praticamente impossível de reverter numa recontagem, diz um dos advogados da candidata democrata, Marc Elias.

Quinta-feira, o gabinete do secretário de Estado do Michigan impediu que a recontagem começasse já esta sexta-feira, como previsto, após considerar válido o argumento apresentado pelos advogados de Trump, que dizem que Stein não se qualifica para exigir uma recontagem. O caso será reanalisado esta sexta-feira por um painel de legisladores do estado; se decidirem contra a objeção do secretário de Estado, a recontagem pode começar já na próxima terça-feira.

Na Pensilvânia, as autoridades eleitorais rejeitaram uma auditoria completa às máquinas de voto eletrónico do estado, com responsáveis de Filadélfia a autorizarem que os boletins de 75 dos quase 1700 locais de voto da cidade comecem a ser contados esta sexta-feira, enquanto não há decisão formal sobre o processo interposto também ali pelos advogados de Trump para impedirem a recontagem.

O prazo para concluir este processo termina a 12 de dezembro, sete dias antes da votação no Colégio Eleitoral. A 19 de dezembro, um mês antes da tomada de posse de Donald Trump como 45.º Presidente dos EUA, os 538 grandes eleitores, como são conhecidos, são chamados a confirmar a eleição do empresário.

A muito reduzida probabilidade de os resultados anunciados há quase um mês se alterarem com esta recontagem tem alimentado o criticismo a Stein, acusada de querer engrossar a sua carteira de doações com o dinheiro que tem estado a angariar numa campanha cibernética para financiar este processo. A candidata defende que a recontagem é necessária para, no limite, demonstrar que o sistema eleitoral norte-americano precisa de reformas.

Apesar de Clinton ter batido Trump no voto popular, angariando mais de 2,5 milhões de votos em relação ao candidato republicano, Trump conseguiu garantir 306 votos favoráveis no Colégio, bem acima do mínimo de 270 necessários para ser confirmado Presidente. Neste momento, pelo menos sete grandes eleitores já informaram que pretendem votar contra o magnata de imobiliário, o derradeiro esforço para impedir que seja ele o próximo Presidente dos EUA. O "Politico" aponta que também essa iniciativa deverá sair frustrada.