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Avião que caiu na Colômbia fez mais viagens com pouco combustível

Local do impacto do avião da companhia aérea boliviana Lamia. O aparelho caiu numa zona montanhosa e de acesso muito difícil

FREDY BUILES/REUTERS

A aeronave da companhia boliviana LaMia, que caiu nos arredores de Medellín, terá realizado mais quatro viagens no limite do combustível. Em todas não foi efetuada nenhuma das paragens previstas para reabastecimento do aparelho

As autoridades colombianas já confirmaram que o avião que se despenhou na madrugada de terça-feira na Colômbia, com 77 pessoas a bordo, não tinha combustível no momento da queda. No entanto, não foi esse o único voo que a aeronave fez no limite do combustível, avança o “Estado de S. Paulo”.

O jornal brasileiro analisou todos os voos desta aeronave registados no site Flightradar24.com – desde 31 de janeiro – e constatou que foram efetuados quatro ligações com pouco combustível: uma no sentido Medellín-Santa Cruz de La Sierra e outras três no sentido Cochabamba-Medellín.

A companhia desrespeitava assim o protocolo de segurança, uma vez que as regras impõem que o avião tenha combustível suficiente para efetuar a ligação e uma reserva de 30 minutos para aterrar num aeroporto alternativo.

De acordo com as informações recolhidas pelo jornal junto da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) brasileira, o mesmo avião sobrevoou o espaço aéreo do Brasil, no passado dia 4 de novembro, proveniente de Medellin, e também não foi reabastecido durante o voo. O piloto era outro, mas não terá seguido também as instruções.

Na terça-feira passada, o piloto do Avro RJ85 não terá calculado bem o tempo da viagem entre Santa Cruz de La Sierra e Medellín. No plano da viagem estava previsto que a mesma durasse 4h22 e quando o piloto comunicou o sinal de emergência tinham passado 4h37.

O próprio diretor-geral da companhia aérea LaMia, Gustavo Vargas, já confirmou, em declarações ao jornal “El Tiempo”, que o avião não efetuou nenhuma das escalas previstas em Cobija ou Bogotá.

De acordo com o jornal “El Deber”, quando estava a ser preparado o plano do voo foi feito um alerta para o facto de a duração do voo corresponder exatamente à autonomia de combustível do aparelho. No entanto, um dos técnicos garantiu que a viagem seria feita em menos tempo.

Nesta altura, a companhia aérea boliviana LaMia está impedida de voar por ordem da Direção-Geral da Aeronáutica Civil colombiana que seguiu as recomendações do governo. Foi aberto um inquérito para apurar as causas do acidente aéreo e as autorizações dadas à empresa.