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Opções erradas e trágicas podem ter levado à queda de avião na Colômbia

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Escolha por frete mais barato e de aeronave de alcance inadequado surgem como fatores potencializadores do acidente

Plínio Fraga, correspondente no Brasil

Por trás da tragédia, tudo indica está o dinheiro. Erros sobre onde economizá-lo e como minimizar os gastos para maximizar os lucros resultaram em opções equivocadas e trágicas, que levaram à queda do avião que matou 71 pessoas ao cair esta terça-feira na Colômbia.

Tudo começou com a decisão da direção da Chapecoense de fretar um avião da companhia boliviana Lamia para ir de Chapecó, no oeste de Santa Catarina, a Medellín, na Colômbia, a 7 mil quilómetros de distância.

A lei brasileira exige que, em tais casos, a aeronave deve ser nacional ou do país de chegada do voo, no caso a Colômbia. Com uma oferta de preço vantajosa da empresa boliviana Lamia, o Chapecoense optou por embarcar o time em voos comerciais normais, primeiro para São Paulo e de lá para Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, onde finalmente embarcariam no voo fretado que desejava. Aqui se cometeu o erro de procurar economizar onde não se devia.

O indicativo do segundo erro, o de minimizar gastos para maximizar lucros, aparece numa reportagem do jornal “El Colombiano”, o melhor da região de Antioquia, onde o avião caiu.

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O Avro RJ85 foi usado para cobrir uma distância de 2.960 km (Santa Cruz de La Sierra-Medellín), quando a aeronave tem uma autonomia de voo de 2.965 km. Ou seja, o planejamento de voo previa margens mínimas de combustível para completar o percurso. Esse modelo de avião deve ser usado em rotas locais, de no máximo duas horas. A operação da aeronave pode ter sido esticada ao seu limite, de maneira imprópria. Segundo os padrões internacionais, o planejamento de voo deve prever quantidade de combustível suficiente para o percurso, mais uma cota extra que permita alcançar o mais distante aeroporto alternativo possível.

Às 21h45 da segunda-feira, o avião RJ85 relatou à torre de comando ter pouco combustível, sempre de acordo com o “El Colombiano”. Pediu então prioridade na aterragem. Pouco antes de sua comunicação, o voo FC8170 Viva Colômbia, que fazia a rota Bogotá-San Andrés, informara estar com um vazamento de combustível e obtivera prioridade para aterrar no Aeroporto José María Córdoba de Rionegro.

O avião da Lamia estava a 21 mil pés de altitude. Tinha de estar a 10 mil pés (pouco mais de 3.000 metros) para realizar o procedimento correto de aterragem. A torre de controle deu prioridade ao avião colombiano. Obrigou o voo boliviano a manobras circulares até que reduzisse sua altitude, enquanto o primeiro avião concluía a sua aproximação.

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