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François Hollande não se recandidata à Presidência

Dan Kitwood/Getty Images

É a primeira vez, na história francesa moderna, que um presidente não se recandidata a um segundo mandato

Helena Bento

Jornalista

O Presidente francês François Hollande anunciou esta quinta-feira que não vai recandidatar-se às eleições presidenciais do próximo ano.

Num discurso a partir do Palácio do Eliseu, Hollande disse estar “consciente dos riscos” de uma candidatura que não iria “mobilizar” o apoio de pessoas suficientes. “Decidi, por isso, não me candidatar”. A decisão foi tomada em nome do “superior interesse do país”, disse Hollande, acrescentando que, como socialista, não podia permitir “a dispersão da esquerda”.

Depois de no domingo passado a direita francesa ter escolhido François Fillon como o seu candidato às presidenciais do próximo ano, e de se saber, há já algum tempo, que Marine Le Pen irá candidatar-se pela extrema-direita, faltava ouvir o que François Hollande tinha para dizer em relação a este assunto. O Presidente francês acaba por tomar uma decisão que muitos já esperavam, dada a queda gradual, mas consistente, da sua taxa de popularidade junto do eleitorado francês.

Uma sondagem citada pelo “New York Times” apontava para a sua derrota logo na primeira volta, a 23 de abril, caso decidisse tentar um segundo mandato. No discurso esta quinta-feira, François Hollande disse que o seu único “dever”, nos meses que lhe restam enquanto presidente, é continuar a liderar o país. “O mundo, a Europa e a França enfrentaram desafios particularmente difíceis durante o meu mandato e nessas circunstâncias particularmente desafiantes eu quis manter a coesão nacional”, disse. Com esta decisão, Hollande torna-se o primeiro presidente francês, desde 1958, a renunciar a uma recandidatura.

Emmanuel Macron, o ex-ministro da Economia que abandonou o Partido Socialista e fundou o seu próprio movimento político, foi dos primeiros a reagir à notícia, dizendo que Hollande tomou uma “decisão corajosa”. Macron já anunciou a sua candidatura (como independente) à Presidência da República, assim como o primeiro-ministro Manuel Valls e Arnaud Montebourg, um antigo ministro da Economia de esquerda, de 54 anos. Também esta quinta-feira foram anunciadas as datas para as primárias da esquerda, que se realizam em duas voltas, a 22 e 29 de janeiro.

François Fillon é o candidato da direita

No domingo, dia 27 de novembro, François Fillon venceu as primárias da direita com 66,5% dos votos, contra os 33,5% de Alain Juppé, candidato centrista considerado mais moderado.

Fillon, que tem 62 anos e foi primeiro-ministro durante a presidência de Nicolas Sarkozy, reagiu aos resultados dizendo que, para si, é importante ter o apoio de toda a gente e que oferece “a sua mão a qualquer pessoa que queira ajudar” e trabalhar com ele.

A França precisa de “qualidades como o respeito e o orgulho”, disse, garantindo que vai defender os valores franceses, mas sem excluir ninguém da sociedade. “Quero que as crianças francesas sintam orgulho da sua nacionalidade”. Voltando às suas promessas de campanha eleitoral, Fillon disse que ia lutar contra os extremistas “que declararam guerra ao país”.

Sobre a decisão de François Holllande, Fillon sublinhou a “lucidez” do Presidente face aos “caos político e vazio de poder” em que termina o seu mandato.