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Tragédia na Colômbia: técnico de aviação diz que sobreviveu porque se colocou na posição fetal

NELSON ALMEIDA/GETTY

Milhares de pessoas participaram na cidade brasileira de Chapecó numa homenagem à equipa de futebol que foi dizimada em novo desastre aéreo. Uma falha elétrica é umas das hipóteses para a causa do acidente desta terça-feira, na Colômbia, que vitimou 71 pessoas

“Sobrevivi porque segui os protocolos de segurança. Perante a situação, muitos levantaram-se dos seus assentos e começaram a gritar. Coloquei as malas entre as minhas pernas para me colocar na posição fetal como se recomenda nos acidentes”, assim relatou aos media colombianos o técnico de aviação Erwin Tumiri, um dos seis sobreviventes da queda do avião que vitimou 71 pessoas na Colômbia.

O comandante do avião Avro RJ85 da companhia boliviana LaMia – que se despenhou numa zona montanhosa em Cerro Gordon, nos arredores da cidade colombiana de La Union, depois 22h15 locais (3h15 de terça-feira em Lisboa – antes de perder o contacto com os controladores aéreos “relatou falhas elétricas graves à torre de controle do aeroporto de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia”, referiu o diretor da Aeronáutica Civil da Colômbia. O aeroporto de Medellín informou que o avião declarou-se “em emergência” “por falhas técnicas”.

Uma falha elétrica é uma das hipóteses para a queda do aparelho, assim como falta de combustível. Na altura do acidente, existiam más condições climatéricas. Existem registos de que um avião de prefixo CP-2933 da LaMia deu deu duas voltas antes de reduzir a velocidade para 263 quilómetros por hora. Algo que é considerado normal, sobretudo em situações de fraca visibilidade. As duas caixas negras do avião foram recuperadas.

A comissária de bordo Ximena Suárez Otterburg, que também sobreviveu à queda do avião, disse que as luzes se apagaram repentinamente “uns 40 a 50 segundos” antes do embate, segundo relatou o governador de Antioquia que conversou com a sobrevivente no hospital.

Inicialmente as autoridades colombianas avançaram um número superior de vítimas, baseando-se na lista que indicava que seguiam a bordo 81 pessoas, apurando-se entretanto que eram apenas 77 - 68 passageiros de origem brasileira e nove membros da tripulação boliviana.

O avião fretado transportava a equipa de futebol brasileira Chapecoense e respetiva comitiva, entre a qual vários jornalistas, que ia disputar em Medillín a primeira mão da final da Taça Sul-Americana com os colombianos do Atlético Nacional.

Em Chapecó, cidade do Estado brasileiro de Santa Catarina, milhares de pessoas concentraram-se ao fim da tarde desta terça-feira, junto à igreja de Santo António, onde se rezou pelas vítimas do acidente, num ambiente de grande comoção. A multidão seguiu depois em procissão até ao estádio da Chapecoense, onde foi levada a cabo uma homenagem.

Entretanto, numa declaração conjunta, diversas clubes da primeira liga do futebol brasileiro ofereceram-se para emprestar graciosamente jogadores à Chapecoense. Esses emblemas apoiam também a uma proposta de mudança das regras da competição, de modo a impedir que a Chapecoense possa descer de divisão no próximo campeonato.