Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Romper o acordo nuclear com o Irão seria desastroso, diz chefe da CIA

John Brennan

JIM LO SCALZO / EPA

John Brennan alerta que a oposição de Donald Trump ao acordo nuclear é um erro. E avisa a nova administração de que terá de ser disciplinada na linguagem que usa

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

A ameaça que o presidente eleito fez durante a campanha de quebrar o acordo alcançado entre os Estados Unidos e o Irão relativo ao armamento nuclear, caso ganhasse as eleições, teria “consequências desastrosas”. Quem o afirmou numa entrevista ao Today Programme da BBC Radio 4 esta quarta-feira foi John Brennan, o homem que chefia a CIA.

Naquilo que o jornal “The Guardian” classifica como “uma entrevista invulgarmente franca”, Brennan abordou os perigos dessa atitude dizendo: “Penso que seria desastroso, seria mesmo! Para começar, uma administração rasgar um acordo assinado pela anterior seria um ato quase sem precedentes”.

Quanto às consequências na região, o chefe dos serviços de informação afirmou que a quebra do acordo poderia conduzir a “um programa de armamento dentro do Irão que poderia levar outros países da região a embarcar nos seus próprios programas com conflitos militares”. Concluindo, John Brennan classificou como “cúmulo da loucura” que a administração que inicia trabalhos em janeiro “rasgasse o acordo”.

Além desta situação concreta, Brennan mostrou a sua preocupação com as intenções relaticas às relações externas dos EUA que foram expressas por Trump durante a campanha. Em particular, espera que as relações entre os EUA e a Rússia melhorem, ainda que tema a proximidade de Trump com Putin.

E quanto à referência, por Trump, de que os Estados Unidos estão em guerra com o islão radical, o chefe da CIA disse à BBC: “A nova equipa tem de ser disciplinada na linguagem que usa, nas mensagens que envia, porque se isso não acontecer a sua linguagem será explorada pelos terroristas e pelas organizações extremistas de forma a retratarem os EUA como sendo anti-islâmicos, o que não somos”.

Relativamente à credibilidade dos anúncios feitos pelo Presidente eleito, a Vox.com publicou um texto na segunda-feira no qual afirma que deveríamos ter levado “literalmente e a sério” os seus compromissos expressos em campanha. “Ao longo da história e em diversos países, o melhor guia para calcular como é que os políticos nos vão governar é dar atenção às promessas que fazem”, escreve a Vox, sublinhando que a transição até agora sugere que Trump será um político típico deste comportamento.

Como qualquer outro presidente, sustenta a Vox, o futuro habitante da Casa Branca não cumprirá 100% do que prometeu, mas “fará um bom esforço para cumprir a maioria das promessas” e, provavelmente “com bom sucesso em muitos casos”.