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Internacional

Índia em choque por 86% do dinheiro ter saído de circulação

Cerca de três semanas depois da implementação da medida, ainda se mantém as longas filas para os bancos e caixas de multibanco, que repetidamente acabam por ficar sem dinheiro

RUPAK DE CHOWDHURI/REUTERS

Há quem fique sem dinheiro para comer, negócios e até casamentos são adiados. Três semanas depois de o Governo indiano ter retirado subitamente as notas de valor mais alto de circulação, o país continua a viver uma situação caótica

Dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se na segunda-feira em diversas cidades indianas contra a inesperada retirada de circulação das notas de 500 e 100 rupias (6,76 e 13,52 euros) - que eram as de valor mais alto e representavam 86% do dinheiro em circulação. Foi a o de novembro e causou uma situação de caos no país que ainda agora se mantém.

Só em Calcutá cerca de 25 mil pessoas saíram às ruas para protestar e a primeira-ministra do estado de Bengala Ocidental, Mamata Banerjee, avisou que se o Governo não retroceder deverão vir a a acontecer “confrontos e epidemias”.

“Eu não discordo dos objetivos, mas é um monumental caso de má gestão”, afirmou por seu turno o ex-primeiro-ministro e reputado economista Manmohan Singh.

No momento do anúncio da retirada das notas, que entrou em vigor logo no final desse mesmo dia, o primeiro-ministro Narendra Modi justificou a medida na televisão em nome do combate ao “dinheiro negro e à corrupção” no país.

A economia paralela é dominante na Índia, onde apenas cerca de 1% da população paga impostos, segundo indicaram dados relativos a 2013.

Os indianos têm até ao final do ano para depositarem e trocarem nos bancos as antigas notas de 500 e de 1000 rupias, mas quem pretender fazê-lo relativamente a quantias avultadas torna-se alvo de investigação por parte das autoridades fiscais.

Cerca de três semanas depois da aplicação da medida, ainda se mantêm as longas filas nos bancos e caixas de multibanco, que repetidamente acabam por ficar esgotadas.

A situação deixa em desespero muitos indianos que não conseguem levantar dinheiro para comprar comida e outros bens de primeira necessidade. Agricultores não conseguem adquirir as sementes necessárias para assegurarem as suas próximas plantações. Inúmeros negócios não se concretizam e mesmo casamentos estão a ser adiados, segundo refere a Vox.

“Muitos casamentos estão a ser adiados, e aqueles que estão a conseguir casar-se estão a fazê-lo pedindo emprestado a familiares e a amigos”, afirmou Niranjan Sahoo, membro da Fundação de Observação e Investigação de Nova Delhi, citado pelo site.

O ex-primeiro-ministro Manmohan Singh estimou que a medida irá levar a um decréscimo de 2% do crescimento economia indiana.