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O “ícone e tirano” na imprensa internacional

ADALBERTO ROQUE/GETTY IMAGES

Admiração, pesar, “tristeza”, “orgulho”, celebrações e festas, luto. Fidel Castro como o “símbolo do sonho revolucionário”, cujo “combate fascinou fora de Cuba”, Fidel Castro como o “ícone e o tirano”. A morte do ex-líder cubano vista pela imprensa internacional

O mundo reagiu à morte de Fidel Castro entre a admiração pelo revolucionário, o pesar, e a celebração de uma comunidade cubana exilada em Miami, em momentos distintos que são este domingo destacados na imprensa internacional.

Em Espanha, a capa do “El País” é feita com uma fotografia a preto e branco do líder cubano, com o título “Morre Fidel Castro, símbolo do sonho revolucionário”. “O último combatente da guerra fria morreu às 22h29 de sexta-feira”, escreve o jornal na primeira página. Na edição online, vários artigos recuperam a história recente de Cuba e fotos de Fidel Castro com Che Guevara, bem como as celebrações da comunidade cubana no exílio.

“Fidel Castro morreu, o carisma continua”, escreve o “El Mundo”, num artigo publicado na sua edição online, lado a lado com outros artigos dedicados ao ex-líder cubano, como o intitulado “A agitada vida sentimental de Fidel”.

O britânico “The Guardian” destaca na secção internacional da edição eletrónica que Fidel foi um líder que causou tanta divisão em vida como na morte, publicando um conjunto de fotografias de vários momentos da vida do antigo Presidente de Cuba e das comemorações que agora ocorreram nos EUA entre a comunidade cubana.

Fidel a fumar, em foto a preto e branco, está também na capa do norte-americano “Washington Post”: “Cuba revolucionária refaz-se” é o título. Na edição online, o jornal escreve que após a morte de Castro (1926 - 2016), crescem as preocupações com o que se seguirá no país.

O “New York Times”, também na edição online, dedica também um texto ao ex-líder cubano intitulado “Um olhar sobre a revolução de Fidel Castro: 50 anos. Três gerações. Uma família”

O francês “Le Monde” ilustra igualmente a capa com uma imagem do líder cubano em preto e branco, ao lado do título “Ícone e Tirano”. Na edição online, vários artigos e fotos relatam a emoção mundial com o acontecimento. Cravos vermelhos, velas vermelhas e um charuto depositados em honra de Fidel Castro acompanham uma foto com a legenda: “o seu combate revolucionário fascinou fora de Cuba”. De Trump a Maradona e a Bashar al-Assad, a morte de Fidel Castro fez reagir o mundo inteiro, escreve o jornal.

O italiano “La Republica” destaca hoje online um ataque com explosivos a uma esquadra da polícia em Bolonha, que causou danos, mas sem provocar vítimas. Vários artigos dedicados à morte de Fidel são ilustrados com fotografias, sob títulos e vídeos que dão conta de “tristeza e orgulho” em Havana e da “festa” em Miami.

O “Jornal de Angola” faz capa com uma foto a cores de Fidel Castro a discursar em público, erguendo a bandeira cubana, com o título “Até sempre comandante”. Na edição online, o artigo dedicado ao tema começa com a comunicação oficial da morte de Fidel Castro: “O Comandante-Chefe da revolução cubana morreu esta noite às 22h29”. Foi assim que o Presidente Raúl Castro anunciou na sexta-feira a morte do histórico líder cubano, aos 90 anos.

O “Globo” preenche as primeiras páginas da edição eletrónica com a morte do líder cubano, destacando as celebrações de cidadãos cubanos a viver em Miami, em contraste com o ambiente de pesar e tensão que se vive na ilha. Entre as várias reações, o jornal publica a opinião do Presidente dos EUA, Barack Obama, segundo o qual a História julgará o impacto que Fidel teve mundo, e também a do músico e ex-ministro da Cultura do Brasil, Gilberto Gil: “Fidel Castro foi um grande ícone da política internacional. Uma vez em Havana, quando ministro, passei com ele algumas horas. Era bem maluquinho”.

No jornal “Folha de S. Paulo”, a capa vai também para o líder da revolução cubana: “Fidel está morto”.

Finalmente, no site da “Al-Jazeera”, Fidel Castro é lembrado por Lucia Newman, editora da edição latino-americana do site árabe, num registo muito pessoal e íntimo, num artigo intitulado “Living under Fidel: A very personal account”.