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François Fillon é o candidato da direita às presidenciais em França

GANHEI François Fillon, o mais que provável candidato do centro-direita nas presidenciais da próxima primavera

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Resultados conhecidos até agora dão a Fillon 67,3% dos votos. Alain Juppé já reconheceu a derrota

Com quase 90% dos votos já contabilizados, é praticamente certa a vitória de François Fillon, que lidera a corrida às primárias francesas com 67,3%, à frente de Alain Juppé, que terá obtido cerca de 33% dos votos.

De acordo com a organização, votaram este domingo cerca de 4,5 milhões de eleitores, superando a participação da primeira volta.

François Fillon já reagiu aos resultados destas primeiras projeções, dizendo que para si é importante ter o apoio de toda a gente e que oferece “a sua mão a qualquer pessoa que queira ajudar” e trabalhar com ele. A França precisa de “qualidades como o respeito e o orgulho”, disse Fillon, garantindo que vai defender os valores franceses, mas sem excluir ninguém da sociedade. “Quero que as crianças francesas sintam orgulho da sua nacionalidade”. Voltando às suas promessas de campanha eleitoral, Fillon disse que ia lutar contra os extremistas “que declararam guerra ao país”.

Também Juppé já reagiu aos resultados, admitindo que não foram aqueles que ele esperava. Afirmando que é “um homem livre” que nunca comprometeu os seus princípios, pediu aos seus apoiantes - principalmente os mais jovens - para se manterem “unidos e fortes” e ajudaram a “reconstruir a economia francesa”. Fillon terá o seu apoio nas presidenciais do próximo ano, garantiu.

Parabenizando o candidato de direita pelos resultados obtidos, Nicolas Sarkozy emitiu um comunicado dizendo: “Chegou a hora de a nossa família política concentrar o seu apoio a François Fillon para garantir a mudança que a França, mais do que nunca, precisa em 2017”.

Quem é François Fillon?

Uma sondagem recente citada pela Reuters já apontava para uma vitória de Fillon, com 61% dos votos contra uns hipotéticos 39% de Juppé. Esta segunda volta das primárias acontece depois de o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy ter sido afastado da corrida - ficou em terceiro lugar na primeira volta das primárias, realizada no domingo passado.

François Fillon, 62 anos, foi primeiro-ministro durante a presidência de Nicolas Sarkozy e apresenta-se como um “liberal social” - embora defenda o fim das 35 horas de trabalho, o corte de 500 mil empregos na função pública e no seu programa económico sobressaia o apoio às empresas através da diminuição de impostos, além de se assumir como um grande admirador de Margaret Thatcher.

Durante uma das suas intervenções no debate de quinta-feira com Juppé, candidato do centro-direita de 72 anos, garantiu que ia “fazer tudo pelos empreendedores”. Católico devoto, Fillon tem ido buscar algum apoio à extrema-direita com promessas de vir a adotar políticas pouco flexíveis para com os imigrantes muçulmanos, temperadas com grandes preocupações em relação à preservação da identidade e língua francesas e valores familiares. O Islão, disse no debate, “tem de aceitar tudo aquilo que outros aceitaram no passado”, uma vez que “não há no país espaço para o radicalismo e a provocação”.

Saindo vencedor da 2ª volta das primárias deste domingo, François Fillon irá enfrentar Marine Le Pen nas presidenciais de abril (primeira volta, no dia 23) e maio (segunda volta, dia 7) e, possivelmente, François Hollande, embora o socialista não tenha ainda confirmado a sua candidatura a um segundo mandato (tem até ao fim da primeira semana de dezembro para o fazer).

Entre os outros candidatos já confirmados estão François Bayrou (Movimento Democrático, centro), Nicolas Dupont Aignan (França de Pé, direita), Yannick Jadot (Verdes), Jean-Luc Mélenchon (Partido de Esquerda), Nathalie Artaud (Luta Operária) e Philippe Poutou (Novo Partido Anticapitalista).

[NOTÍCIA ATUALIZADA ÀS 20H50]

  • Conservador nos costumes, liberal na economia, macio no trato: o novo homem mais falado da Europa

    Se não se afundar no próximo frente a frente televisivo com Alain Juppé, esta quinta-feira, François Fillon será o candidato da direita e do centro às eleições presidenciais francesas de abril e maio. Vencedor claro da primeira volta das primárias, este domingo, o antigo primeiro-ministro de Nicolas Sarkozy representa uma França burguesa, familiar e rural. É um homem com ar calmo e suave, claramente de direita, conservador em termos sociais e com um programa liberal de apoio às empresas e de rigor nas finanças públicas

  • Mais uma vitória inesperada, mais umas sondagens totalmente enganadoras e mais algumas lições que se podem tirar deste fim de semana em que Fillon, inesperadamente venceu as primárias do centro-direita francês, ditando o fim político de Sarkozy, e em que Angela Merkel decidiu apresentar-se a um quarto mandato como chefe do Governo alemão

  • Nem os portugueses salvaram Nicolas Sarkozy

    Com a sua derrota clara na primeira volta das primárias da direita e do centro, o antigo Presidente chegou ao fim da sua carreira política. Nicolas Sarkozy tentou tudo para ganhar e fez campanha em todo o lado. Por exemplo, foi o único dos sete candidatos que foi à rádio portuguesa de Paris, para, numa entrevista, tentar conquistar o voto de centenas de milhares de portugueses com a dupla nacionalidade ou franceses de origem lusa. Ficou em 3.º lugar, largamente atrás de François Fillon e Alain Juppé