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“Fim do embargo dos EUA a Cuba parece irreversível”, diz embaixador em Havana

Os embaixadores de de Cuba em Lisboa e de Portugal em Havana, Johana Tablada e Luís Faro Ramos

DR

Os cubanos estão a reagir com “serenidade” à morte de Fidel de Castro, diz ao Expresso o embaixador Luís Faro Ramos. Testemunha da “emoção tranquila” com que o país viveu o primeiro dia de luto nacional, ouviu na rádio cubana que este é o momento de “projetar o futuro sem lamentações”. Para o embaixador de Portugal em Havana esta é a frase que melhor simboliza “o modo como os cubanos querem preservar a memória de Fidel”

O embaixador de Portugal em Cuba, Luís Faro Ramos, apresentou credenciais em Havana em setembro de 2015. De então para cá acompanhou a histórica visita do Presidente dos EUA Barack Obama, a euforia do concerto dos Rolling Stones em Havana, e a visita oficial de Marcelo Rebelo de Sousa. Testemunha da forma como os cubanos estão a reagir à morte de Fidel de Castro, fala ao Expresso sobre este momento simbólico da história de Cuba.

Como estão os cubanos a reagir?
Com uma emoção tranquila. Ouvi na rádio cubana uma frase que me parece simbolizar bem o modo como os cubanos querem preservar a memória de Fidel Castro: projetar o futuro sem lamentações.

Qual é o sentimento nas ruas de Havana?

De serenidade. Há que lembrar que Fidel Castro, para além de ter já 90 anos de idade, já não estava no poder desde 2006, quando se afastou por doença, tendo-se nessa altura temido seriamente pela sua vida.

A morte de Fidel pode implicar uma mudança de rumo?

A abertura de Cuba ao mundo, e designadamente a normalização do relacionamento com os Estados Unidos iniciada em finais de 2014, está em curso, e tal como o final do embargo que os Estados Unidos impõem a Cuba, parece irreversível. Não penso que o desaparecimento de Fidel Castro conduza a uma alteração desse rumo.