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Direita francesa escolhe o seu candidato às presidenciais

SEBASTIEN NOGIER/EPA

Com o afastamento de Nicolas Sarkozy, a corrida da direita às eleições presidenciais francesas é agora disputada pelos ex-primeiros-ministros François Fillon, que venceu a primeira volta primárias, e Alain Juppé

Helena Bento

Jornalista

A direita francesa escolhe este domingo o candidato que vai enfrentar Marine Le Pen nas eleições presidenciais do próximo ano.

Depois de o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy ter sido afastado da corrida - ficou em terceiro lugar na primeira volta das eleições primárias, realizada no domingo passado - o lugar é agora disputado pelos ex-primeiros-ministros Alain Juppé e François Fillon. Uma sondagem recente citada pela Reuters aponta para uma vitória de Fillon, com 61% dos votos contra uns hipotéticos 39% de Alain Juppé.

Esta previsão reflete, além das preferências já apuradas do eleitorado de direita, o resultado do último debate televisivo entre os dois candidatos, ao qual assistiram oito milhões de telespectadores em França. François Fillon, que foi primeiro-ministro durante a presidência de Nicolas Sarkozy e que se apresenta como um “liberal social” - embora defenda o fim das 35 horas de trabalho, o corte de 500 mil empregos na função pública e no seu programa económico sobressaia o apoio às empresas através da diminuição de impostos, além de se assumir como um grande admirador de Margaret Thatcher - foi dado como o grande vencedor da noite.

Durante uma das suas intervenções no debate de quinta-feira garantiu que ia “fazer tudo pelos empreendedores”. Católico devoto, Fillon tem ido buscar algum apoio à extrema-direita com promessas de vir a adotar políticas pouco flexíveis para com os imigrantes muçulmanos, temperadas com grandes preocupações em relação à preservação da identidade e língua francesas e valores familiares. O Islão, disse no tal debate, “tem de aceitar tudo aquilo que outros aceitaram no passado”, uma vez que “não há no país espaço para o radicalismo e a provocação”.

A isso, Juppé, que foi primeiro-ministro durante a presidência de Jacques Chirac e apresenta-se como um candidato mais moderado, respondeu com acusações e críticas, acusando o seu adversário de querer reformar França “à bruta” e de ter um programa pouco realista que vai buscar apoio à extrema-direita. O candidato do centro-direita criticou a posição de Fillon em relação ao aborto e ao casamento gay (é contra), bem como a sua proximidade com o Presidente russo Vladimir Putin, que na semana passada descreveu como "uma pessoa de muitos princípios”.

Mas voltemos às sondagens. Olhar para o aconteceu na Colômbia, aquando do referendo sobre o acordo alcançado entre o governo e os guerrilheiros das FARC, no Reino Unido, com a vitória do Brexit e, mais recentemente, nos EUA, com a ascensão inesperada de Donald Trump à presidência - ajuda a perceber a falibilidade das sondagens. Na semana passada, na primeira volta destas primárias, Alain Juppé era dado como o favorito, seguido de Nicolas Sarkozy, mas quem venceu as eleições foi François Fillon, com 44,2% dos votos, seguido do centrista Juppé (com 28,7%) e de Sarkozy, que obteve apenas 20,7% dos votos e foi afastado da corrida.

O vencedor destas primárias vai enfrentar Marine Le Pen nas presidenciais de abril (primeira volta, no dia 23) e maio (segunda volta, dia 7) e, possivelmente, François Hollande, embora o socialista não tenha ainda confirmado a sua candidatura a um segundo mandato (tem até ao fim da primeira semana de dezembro para o fazer). Entre os outros candidatos já confirmados estão François Bayrou (Movimento Democrático, centro), Nicolas Dupont Aignan (França de Pé, direita), Yannick Jadot (Verdes), Jean-Luc Mélenchon (Partido de Esquerda), Nathalie Artaud (Luta Operária) e Philippe Poutou (Novo Partido Anticapitalista).

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    Se não se afundar no próximo frente a frente televisivo com Alain Juppé, esta quinta-feira, François Fillon será o candidato da direita e do centro às eleições presidenciais francesas de abril e maio. Vencedor claro da primeira volta das primárias, este domingo, o antigo primeiro-ministro de Nicolas Sarkozy representa uma França burguesa, familiar e rural. É um homem com ar calmo e suave, claramente de direita, conservador em termos sociais e com um programa liberal de apoio às empresas e de rigor nas finanças públicas

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    Com a sua derrota clara na primeira volta das primárias da direita e do centro, o antigo Presidente chegou ao fim da sua carreira política. Nicolas Sarkozy tentou tudo para ganhar e fez campanha em todo o lado. Por exemplo, foi o único dos sete candidatos que foi à rádio portuguesa de Paris, para, numa entrevista, tentar conquistar o voto de centenas de milhares de portugueses com a dupla nacionalidade ou franceses de origem lusa. Ficou em 3.º lugar, largamente atrás de François Fillon e Alain Juppé