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A oposição resiste, mas o combate está cada vez mais difícil em Alepo

ABDALRHMAN ISMAIL/REUTERS

Exército sírio anunciou a tomada, em dois dias, de um segundo bairro na zona leste de Alepo, controlada pela oposição. Bashar al-Assad não vai desistir enquanto a cidade não regressar às suas mãos. Milhares de civis estão em fuga - e a viver em condições miseráveis - devido ao aumento do número de bombardeamentos

Helena Bento

Jornalista

O Exército sírio anunciou a tomada, em dois dias, de um segundo bairro do leste de Alepo, graças a uma intensa campanha de bombardeamentos que já levou à fuga milhares de civis.

De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (SOHR, na sigla em inglês), cerca de 4000 pessoas deixaram a zona leste da cidade nas últimas 24 horas. Mais de metade fugiram para Sheikh Maksoud, bairro a norte controlado pelos curdos. Cerca de 1700 fugiram para a zona oeste de Alepo, controlada pelo regime.

A tomada do bairro de Jabal Badro, um dia após a captura de Hanano, representa um importante avanço para o regime sírio, que está a bombardear Alepo há quase 15 dias, apoiado pela aviação russa. O objetivo, já se sabe, é reconquistar a cidade na totalidade. “É o primeiro êxodo deste género no leste de Alepo desde 2012”, afirmou Rami Abdel Rahman, diretor do SOHR, citado pela AFP. Foi nesse ano que a batalha pela conquista daquela que foi já considerada o principal centro financeiro e comercial da Síria começou, opondo regime e forças da oposição.

A estratégia do governo de tentar reconquistar a cidade “à força parece estar a resultar”, disse Osama bin Javaid, correspondente da Al-Jazeera no local, acrescentando que a tomada de Jabal Badro e Hanano pode ter um “efeito-dominó”, levando a que o mesmo aconteça noutras áreas controladas pela oposição. Sakhur é uma dos bairros em que este efeito é mais temido, por causa da sua localização no centro da zona este de Alepo.

A sua tomada pelo regime poderá levar a que esta região fique dividida em duas partes e isso teria como consequência imediata um enfraquecimento ainda maior da oposição, que garante, no entanto, estar “a consolidar posições”, ainda que a resistência esteja a ser dificultada pelos bombardeamentos, disse Yasser al-Youssef, do grupo rebelde da oposição Nureddin al-Zinki, citado pela AFP. “Os aviões estão a destruir tudo, pedras, árvores pessoas”, acrescentou.

Dezenas de famílias começaram já a abandonar o bairro. De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, morreram 18 civis em Sakhur, elevando para 219, incluindo 27 crianças, o número de civis mortos no leste da cidade de Alepo desde o início desta grande ofensiva, a 15 de novembro. Na zona oeste, controlada pelo regime, a oposição também não tem dado descanso. O Observatório sírio fala em 27 civis mortos, incluindo 11 crianças, no oeste da cidade desde o início da ofensiva.