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“Homem de grandes feitos e grandes erros”: as reações dos partidos à morte de Fidel

ADALBERTO ROQUE

PCP, BE, PSD e CDS reagiram à morte do líder cubano esta madrugada, aos 90 anos

Os partidos reagiram este sábado à morte do histórico líder cubano Fidel Castro, reconhecendo o papel que teve. PCP e BE saúdam "a memória" de Fidel, o PSD enviou condolências ao povo cubano e o CDS sublinha o "momento histórico" e a importância da "normalização das relações" de Cuba com o resto do mundo.

"Perante o falecimento do camarada Fidel Castro, o Comité Central do PCP expressa os seus sentimentos de profundo pesar e transmite ao Comité Central do Partido Comunista de Cuba e por seu intermédio a todos os comunistas, ao povo de Cuba, ao camarada Raul Castro e restante família de Fidel os sentidos pêsames e a solidariedade dos comunistas portugueses”, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, numa breve comunicação.

O Bloco de Esquerda saudou a memória do líder cubano, realçando os seus feitos e erros, e transmitindo solidariedade ao "povo de Cuba independente". "Fidel Castro foi uma das figuras mais importantes da história do século XX e líder de uma revolução vitoriosa", salienta o BE, acrescentando que Fidel "foi o autor, como figura histórica de grande importância, de grandes feitos e de grandes erros".

Para o BE, a vida de Fidel Castro foi "experiência de libertação nacional, começada sem alinhamento e até em conflito com a ortodoxia soviética, e só mais tarde conformada com Moscovo e com o modelo de partido único".

"Ao longo de décadas, o criminoso bloqueio norte-americano e a permanente sabotagem económica criaram um clima de cerco que não só puniu as populações como rigidificou o regime e a sua burocracia", segundo o comunicado do secretariado da Comissão Política do Bloco. Aponta ainda que Fidel Castro "tem também a seu crédito os feitos históricos que tornaram a revolução cubana num referencial para as lutas dos povos na América Latina e não só".

As reações do PSD e CDS

O PSD enviou uma mensagem de condolências pela morte do histórico líder cubano Fidel Castro à embaixada de Cuba em Lisboa, na qual endereça "as mais sentidas condolências" ao povo cubano. Na mensagem, o partido salienta o "importante papel desempenhado por Fidel Castro na história de Cuba" e endereça "ao povo cubano e ao seu Governo as mais sentidas condolências".

Já o CDS-PP reconheceu este sábado o "momento histórico" da morte de Fidel Castro, segundo afirmou Assunção Cristas, líder do partido.

"Há um processo interno certamente, um processo de maior democratização e eu creio que este momento histórico - que não deixa de ser um momento histórico - também é um momento que já coincide com uma abertura do regime cubano e será certamente um ensejo para que a normalização das relações com o resto de mundo se possa dar, a partir de agora, de forma, até porventura, mais acelerada", respondeu Critas aos jornalistas, quando questionada sobre a morte do antigo presidente cubano Fidel Castro.

Para a líder centrista, "o mais importante para sinalizar é o que significa de abertura de Cuba ao resto do mundo, de normalização das relações internacionais de Cuba".

Questionada concretamente sobre a figura de Fidel Castro, Cristas escusou-se a fazer qualquer comentário uma vez que, na sua opinião, "é mais interessante olhar para o sinal político".

"E [olhar] para a forma como este momento também é em definitivo - assim se espera - o encerrar de um ciclo e que as transformações que já se têm vindo a notar possam ter mais rapidez, possam normalizar rapidamente a nível internacional", realçou.

O histórico líder de Cuba morreu na noite de sexta-feira, às 22h29 locais (3h29 de sábado em Portugal continental) com 90 anos, e a sua morte tem despertado reações políticas em todo o mundo. As suas cinzas serão enterradas a 4 de dezembro, após nove dias de luto nacional.