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“Hasta la victoria, siempre!” As reações à morte de Fidel

Fidel Castro e o seu irmão Raúl Castro.

ADALBERTO ROQUE/GETTY IMAGES

Barack Obama diz que Fidel Castro foi “uma figura singular” e Donald Trump diz que não, que ele foi um “ditador brutal” que “oprimiu o seu povo”. Vladimir Putin relembra- como um “sincero e confiável amigo da Rússia que deu a sua vida pelos seus ideais” e Xi Jinping sublinha o seu “contributo imortal para o socialismo em todo o mundo”. A Bélgica espera que ele seja “estudado no seu justo valor” e a Holanda lembra as “violações graves dos direitos humanos” que foram cometidas durante o seu regime. Eis algumas das reações dos líderes mundiais à morte de Fidel Castro, que morreu na madrugada deste sábado aos 90 anos

Helena Bento

Jornalista

As reações à notícia da morte de Fidel Castro, anunciada pelo seu irmão Raúl Castro na madrugada deste sábado, continuam a chegar em catadupa.

O Papa Francisco manifestou “pesar” pela sua morte e, num telegrama dirigido ao irmão do histórico líder cubano, disse que vai rezar pelo seu descanso. “Ao receber a triste notícia do falecimento do seu querido irmão, o excelentíssimo senhor Fidel Alejandro Castro Ruz, ex-presidente do Conselho de Estado e do governo da República de Cuba, expresso os meus sentimentos de pesar”, afirmou, estendendo os seus pêsames aos restantes familiares de Fidel Castro, assim como ao governo e ao povo “dessa amada nação”.

O antigo líder cubano morreu aos 90 anos. A notícia do seu falecimento foi dada pelo irmão, o Presidente Raúl Castro, na televisão estatal. “O comandante-chefe da revolução cubana morreu esta noite às 22h29”. Raúl informou que o corpo de Fidel vai ser cremado, de acordo com a sua “expressa vontade”, e despediu-se com a frase “Até à vitória, sempre”.

Também Barack Obama já reagiu à morte de Fidel. Afirmando que a Casa Branca estende a “mão da amizade” ao povo cubano, o antigo presidente dos EUA disse que caberá à “História julgar o impacto enorme” que o ex-líder da revolução cubana, “uma figura singular”, teve tanto no seu país, como no mundo.

A reação de Donald Trump foi diferente. Numa curta mensagem publicada na sua conta do Twitter, o atual presidente dos EUA limitou-se a escrever: “Fidel está morto!”

Enrique Peña Nieto, presidente do México, lamentou a morte de Fidel, descrevendo-o como uma “referência emblemática do século XX”. “Fidel Castro foi um amigo do México, promotor de uma relação bilateral baseada no respeito, no diálogo e na solidariedade", escreveu o presidente numa mensagem publicada na sua conta na rede social Twitter.

“Foi-se um grande. Morreu Fidel. Viva a Cuba! Viva à América Latina!”, escreveu o Presidente do Equador, Rafael Correa, no Twitter, acrescentando que o histórico líder cubano morreu “como um grande”.

Também no Twitter, numa série de mensagens publicadas umas a seguir às outras, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, lamentou a morte do “gigante invicto” e disse que cabe a todos os revolucionários do mundo “seguirem o seu caminho”.

Maduro afirmou ainda que o líder cubano e o venezuelano Hugo Chávez “deixaram aberto o caminho” para a libertação dos povos e indicou já ter falado com o seu homólogo cubano, Raúl Castro, a quem transmitiu “solidariedade e amor ao povo de Cuba face à partida do Comandante Fidel Castro”.

A última mensagem deixada pelo líder venezuelano naquela rede social diz: “No dia em que se assinalam os 60 anos da partida do Granma [navio que transportou os revolucionários cubanos do México para Cuba em 1956], parte Fidel”. E termina com a frase: “Hasta la victoria, siempre”.

Numa mensagem lida num canal estatal, o presidente chinês Xi Jinping disse: “Os chineses perderam um camarada verdadeiro e bom. Camarada Castro vai viver para sempre”. Sublinhando o “contributo imortal de Fidel Castro para o desenvolvimento do socialismo em todo o mundo”, Xi Jinping lembrou o esforço do antigo líder comunista para estabelecer relações diplomáticas entre os dois países em 1960. “Com a sua morte o povo chinês perde um camarada próximo e um amigo sincero. A sua imagem de glória e grandes conquistas serão lembradas para sempre”, acrescentou.

“Para os povos do nosso continente e os trabalhadores dos países mais pobres, especialmente para os homens e mulheres da minha geração, Fidel Castro foi sempre uma voz de luta e esperança”, escreveu Lula da Silva na sua conta da rede social Twitter, lamentando a morte do ex-líder cubano, “o maior de todos os latino-americanos”, como “a perda de um irmão mais velho, de um companheiro insubstituível”, de quem jamais se esquecerá.

“O seu espírito combativo e solidário animou sonhos de liberdade, soberania e igualdade. Nos piores momentos, quando as ditaduras dominavam as principais nações da nossa região, a valentia de Fidel Castro e o exemplo da revolução cubana ispiraravam os que resistiam à tirania", salientou o ex-presidente brasileiro.

Já Dilma Rousseff descreveu Fidel Castro como “um visionário que acreditava na construção de uma sociedade fraterna e justa, sem fome, nem exploração, numa América Latina unida e forte”.

Espanha e França expressam as suas condolências

“Apresento as minhas condolências ao Governo e às autoridades cubanas pela morte do ex-presidente Fidel Castro, uma figura de importância histórica”, escreveu Mariano Rajoy, líder do executivo espanhol, lembrando Fidel como “uma figura de importância histórica”.

Pedro Sánchez, ex-secretário-geral do PSOE, também reagiu à notícia do falecimento. Afirmou que com a morte de Fidel “acaba uma época” e enviou, num tweet, “um abraço ao povo cubano pela marcha em direção à liberdade e democracia”.

Ainda de Espanha veio a reação do líder do partido Esquerda Unida. Alberto Garzón classificou o líder da revolução cubana como “um ponto de referência do socialismo e das causas dos oprimidos, uma daquelas pessoas que desafiou os estabelecidos, impulsionado por um sonho: um mundo mais justo, uma sociedade sem classes”.

A porta-voz adjunta do Podemos no Congresso dos Deputados em Espanha, Irene Montero, enviou “um abraço fraterno ao povo cubano, que hoje disse: até sempre [Castro]”. A deputada de esquerda fez estas afirmações na rede social Twitter, onde colocou também um vídeo com a canção “Por quem merece amor”, do cantor cubano Silvio Rodríguez.

Lembrando Fidel Castro como alguém que “encarnou a Revolução Cubana”, com as suas “esperanças” e “desilusões”, o Presidente francês François Hollande apresentou as suas condolências pela morte do ex-presidente de Cuba, “ele que sabia que representava para os cubanos o orgulho da rejeição”.

Vladimir Putin descreveu Fidel Castro como “um símbolo de uma época da história contemporânea” e, num telegrama enviado ao presidente cubano Raúl Castro, e divulgado pelo Kremlin, escreveu: “A Cuba livre e independente que criou juntamente com os seus correligionários converteu-se num elemento influente da comunidade internacional e serviu de exemplo inspirador para muitos povos e países”.

O presidente russo lembrou ainda que Fidel “foi um sincero e confiável amigo da Rússia”, que “deu a sua vida” pelos seus ideais. “A sua memória vai ficar para sempre nos corações de todos os cidadãos da Rússia”, disse ainda Putin.

Bélgica espera que Fidel seja “estudado no seu justo valor” e Holanda lembra “violações graves dos direitos humanos”

O primeiro-ministro belga assinalou a importância do ex-líder cubano na história do século XX e, em comunicado, afirmou: “Com o desaparecimento de Fidel Castro, passa-se, sem dúvida, uma página importante na história política mundial”. Charles Michel disse esperar que o percurso político de Fidel possa “ser estudado no seu justo valor”, sem esquecer que foi acusado por uma parte dos cubanos e da comunidade internacional de ter suprimido liberdades económicas e políticas no seu país.

O primeiro-ministro holandês Mark Rutte apontou igualmente a importância e “influência” de Fidel para a “história do mundo”, mas sublinhou as “violações graves dos direitos humanos” que foram cometidas durante o seu governo.

Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, escreveu no Twitter que o mundo perdeu “um homem que foi um herói para muitos” e Cecilia Malmström, comissária europeia do Comércio, publicou uma mensagem na mesma rede social que diz: “Fidel Castro foi um ditador que oprimiu pessoas durante 50 anos. Por isso, todos estes tributos e homenagens são estranhos”.

Lembrando o ex-presidente cubano como um “líder histórico da esquerda mundial” e garante “da dignidade e da independência do seu povo”, Alexis Tsipras escreveu na sua conta do Twitter: “A geração que parte deixa um enorme legado histórico, simbólico e político, que temos de manejar em condições extremamente difíceis, com um fracasso do neoliberalismo, mas sem que a visão socialista tenha encontrado ainda uma nova articulação”.