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“Sim, conseguimos!”

MAURICIO DUENAS CASTANEDA / EPA

Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e Rodrigo Londoño, conhecido como "Timochenko", número um das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), assinaram o acordo de 310 páginas no histórico Teatro Colón de Bogotá, cerca de dois meses após o acordo original ter sido rejeitado em referendo. No entanto, a ausência de um amplo consenso no país sobre o acordo poderá tornar ainda mais difícil a sua aplicação

O Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e o líder da guerrilha das FARC, Rodrigo Londoño, assinaram esta quinta-feira em Bogotá um novo acordo de paz destinado a terminar com mais de meio século de hostilidades. Após a assinatura apertaram as mãos com firmeza, enquanto entre a assistência se entoava "sim, conseguimos!".

A rápida cerimónia desta quinta revelou-se muito mais modesta que a ocorrida em setembro, quando os dois homens assinaram um anterior acordo em Cartagena das Índias (norte) perante uma audiência de líderes estrangeiros e do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

O novo acordo inclui 50 alterações destinadas a mitigar as críticas dos opositores a esta iniciativa, liderados pelo ainda poderoso ex-presidente Álvaro Uribe. Entre as novas medidas inclui-se a proibição de magistrados estrangeiros julgarem os crimes atribuídos às FARC ou ao governo colombiano, ou um compromisso da guerrilha para a indemnização das suas vítimas.

No entanto, as FARC não aceitaram a principal exigência da oposição, que pedia penas de prisão para os líderes rebeldes acusados de crimes e estritas limitações na sua futura participação na vida política.

Numa ação de protesto, membros do Centro Democrático, o partido de Uribe, admitiram boicotar o debate no Congresso previsto para a próxima semana sobre a ratificação do acordo, acusando a legislatura de desrespeitar a Constituição.

Não obstante, não existe consenso interno sobre o acordo, o que dificultará a sua aplicação, enquanto permanecem muitas questões sobre o destino dos cerca de 8.000 guerrilheiros ainda integrados nas FARC e se avolumam os sinais de crise económica.

Existe ainda o risco de que a atual iniciativa de pacificação do país implique novos atos sangrentos, como sucedeu na década de 1980 na sequência de um anterior processo de paz com as FARC, quando milhares de antigos guerrilheiros, ativistas sindicais, dirigentes políticos e militantes comunistas foram assassinados por milícias de extrema-direita, muitas vezes com a colaboração de agentes do Estado.

Este receio, apesar de menos presente face aos períodos mais negros do conflito colombiano, agravou-se após mais de 12 ativistas dos direitos humanos e do direito à terra em áreas dominadas pelas FARC terem sido assassinados por grupos desconhecidos desde a primeira cerimónia de assinatura, em setembro.

Santos convocou esta semana uma reunião de emergência com o seu gabinete e responsáveis da ONU para abordar estas mortes e aproveitou para reforçar a sua mensagem de que a paz não pode esperar.

Em 2016 já foram assassinados na Colômbia pelo menos 70 ativistas, mais vítimas que no conjunto de 2014 e 2015, segundo os números da organização com sede em Bogotá "Programa Somos Defensores".

"Temos de atuar, não há tempo a perder", considerou previamente o Presidente Santos numa intervenção pela televisão que anunciava a cerimónia desta quinta.

Após a sua assinatura, Santos vai apresentar o acordo ao Congresso, onde se espera que uma sólida maioria ratifique o documento na próxima semana. De seguida, os deputados terão de aprovar legislação para que os guerrilheiros iniciem a concentração em cerca de 20 áreas de desmobilização e entreguem as suas armas aos monitores ao serviço das Nações Unidas.

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    Governo de Juan Manuel Santos diz que o novo acordo, a ser assinado na quinta-feira, vai ser levado a votação no Congresso mas não a referendo popular. O anterior acordo para pôr fim aos 52 anos de conflito interno foi chumbado pela maioria dos colombianos que foram às urnas em outubro