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Primeiro-ministro da Eslováquia chama “prostitutas sujas” aos jornalistas. Comissária europeia não comenta

Dan Kitwood/Getty Images

Na passada quarta-feira, o primeiro-ministro eslovaco, ao ser questionado sobre um alegado desrespeito nas regras relativas aos contratos públicos nos eventos culturais previstos par assinalar o final da presidência eslovaca da União Europeia, chamou "prostitutas sujas" a jornalistas. Esta quinta-feira a comissária europeia para a Justiça e Igualdade não quis comentar

A comissária europeia para a Justiça e Igualdade, Vera Jourova, garantiu que não vai censurar as declarações polémicas do primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, que chamou “prostitutas sujas” aos jornalistas. Jourova, que foi questionada sobre a temática esta quinta-feira, um dia depois do comentário de Fico, considera que este comentário não representa uma forma de violência contra as mulheres.

“Não quero falar sobre isso” terá dito a comissária quando foi interrogada, no decorrer de uma conferência de imprensa sobre violência machista. Como justificação, explicou que a sua audiência estava apenas interessada em abordar “temas sobre violência contra mulheres”.

Perante a insistência da imprensa, que pretendia averiguar se Jourova considerava as declarações do primeiro-ministro como linguagem sexista, a comissária voltou a fugir ao assunto e fez um comentário geral, dizendo que “a linguagem sexista é intolerável e a opinião pública e os meios de comunicação devem refletir sobre isso”.

“Algumas de vocês são prostitutas antieslovacas sujas. Vocês não informam, vocês lutam com o Governo” foram as palavras de Fico na passada quarta-feira. O primeiro-ministro tinha sido interrogado sobre as alegações feitas por Zuzana Hlavkova, membro do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Eslováquia, e pela organização não-governamental anticorrupção, Transparência Internacional.

Fico argumentou ainda que as acusações configuram também um ataque para manchar a presidência eslovaca da União Europeia, que termina em dezembro. Da mesma forma, o ministro dos Negócios Estrangeiros eslovaco, Miroslav Lajcak, rejeitou as acusações e garantiu que “foi tudo feito de acordo com a lei e que o orçamento a ser pago à presidência eslovaca, não vai ser gasto na totalidade”.

Ainda na conferência de imprensa desta quinta, Jourova denunciou a violência sexual que muitas mulheres ainda são vítimas na União Europeia e não só. Não obstante, destacou os esforços do Executivo comunitário no apoio às mulheres e crianças vítimas de agressões.

Para assinalar o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, esta sexta-feira, dia 25 de novembro, Jourova e outros oito comissários assinaram uma declaração na qual se pode ler que “as testemunhas são frequentemente relutantes em agir. Juntos, temos de fazer frente a estas situações e aos estereótipos que minam as vozes das mulheres e mostrar que a violência contra o sexo feminino é inaceitável e ninguém a vai tolerar”.