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Líder da extrema-direita austríaca acena com referendo à UE

ELEIÇÕES. Norbert Hofer, de 45 anos, foge à figura-tipo dos demagogos nacionalistas que pululam na Europa: escreveu-se que tem um “olhar doce e discurso suave”, ele que diz que anda armado por causa dos imigrantes

epa

Norbert Hofer promete convocar consulta popular se bloco europeu “ficar mais centralizado por causa do Brexit”. Segunda volta das presidenciais, que foi anulada em julho, é disputada a 4 de dezembro

O homem que pode estar prestes a tornar-se o primeiro chefe de Estado de extrema-direita dentro da União Europeia diz que, se vencer a segunda volta das presidenciais austríacas, vai ponderar a convocatória de um referendo à permanência no bloco caso o Brexit conduza a uma união "mais centralizada".

Em entrevista à BBC, Norbert Hofer, o líder do Partido da Liberdade, de extrema-direita, disse que ninguém deve ter medo de o ver ser eleito Presidente da Áustria, garantindo que à partida não pretende que o país saia da UE mas que existem dois pontos que podem fazê-lo mudar de ideias. O primeiro, mais improvável, diz respeito às negociações de adesão da Turquia à UE, um processo que está em marcha há vários anos e que dificilmente irá ficar concluído num futuro próximo. O segundo tem a ver com as respostas do bloco regional à saída do Reino Unido, na sequência do referendo de junho em que quase 52% dos britânicos votaram contra o bloco europeu.

"Se a resposta ao Brexit for uma União Europeia mais centralizada, em que os parlamentos nacionais perdem poderes e em que a União é governada como um Estado, nesse caso vamos ter um referendo na Áustria porque isso levará a uma alteração Constitucional", garantiu ao canal britânico, dizendo que embora seja importante para a Áustria integrar a UE, é preciso "uma União Europeia melhor" do que a atual.

Em julho, Hofer conseguiu que a segunda volta das eleições presidenciais fosse anulada após o seu rival do partido d'Os Verdes, Alexander Van der Bellen, ter vencido em maio com uma margem inferior a 31 mil votos. O Supremo Tribunal apoiou a sua queixa de que as regras de votação por correspondência tinham sido quebradas em 94 dos 117 distritos da Áustria e anulou os resultados, reconvocando a segunda volta eleitoral para o próximo dia 4 de dezembro. Apesar de o papel do Presidente na Áustria ser, como em Portugal, em larga medida cerimonial, o chefe de Estado tem o poder de dissolver a câmara baixa do parlamento, o Conselho Nacional, e de convocar novas eleições legislativas.

Na mesma entrevista, e embora tenha admitido que os muçulmanos que vivem no país fazem parte da sociedade, Hofer sublinhou que "o Islão não integra os nossos valores". A segunda volta das presidenciais austríacas está convocada para 4 de dezembro, no mesmo dia em que os eleitores italianos vão às urnas votar uma reforma constitucional num referendo tido como mais um teste fulcral à UE. As sondagens mais recentes apontam um empate técnico entre Hofer e Van der Bellen.