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Internacional

Durante duas semanas, um americano não soube (nem quis saber) quem tinha ganho as eleições

Um artista de calendários tomou providências para não ser informado

Luís M. Faria

Jornalista

Teria sido possível? Era mesmo verdade? As opiniões dividem-se. Durante duas semanas, um norte-americano chamado Joe Chandler, de Brunswick, Georgia, disse que não sabia nem queria saber quem tinha ganho as eleições presidenciais. E tratou de garantir que a ignorância (se ignorância era) continuava intacta.

Como passa em casa a maior parte do dia – o seu trabalho é desenhar calendários – Chandler não estava sujeito a ouvir conversas alheias. Quando saía à rua, levava um cartaz a pedir que não o informassem. Para reforçar, tinha nos ouvidos um par de bons auscultadores que o isolavam do mundo.

Em casa, ninguém o obrigava a ver televisão, e muito menos a surfar a net. Notícias do mundo, ia-as recebendo com a colaboração de uma filha adulta, que lhe mandava jornais recortados. Todos os artigos sobre presidenciais americanas ou a vitória de Trump eram minuciosamente extraídos, garantem ambos.

E no entanto… Ao longo das duas semanas de ignorância, porém, Chandler foi dando entrevistas. Deu uma à Fox, por exemplo, na qual explicou que tinha tido a ideia de se manter temporariamente desinformado quando amigos o convidaram para ir passar a noite eleitoral com eles. Passar a noite a roer a angústia e as unhas? Devia haver algo melhor que fazer, pensou.

A ideia original era manter-se em ignorância durante apenas 24 horas, mas depois resolveu continuar. A publicidade deve ter-lhe agradado. E justamente por isso, muita gente acha que tudo não passou de uma manobra para se tornar uma vedeta, para conseguir fama durante os proverbiais quinze minutos.

Qualquer que seja a verdade, Joe Chandler hoje já tem de certeza conhecimento do resultado das eleições. Foi a um programa de televisão e viu uma data de balões vermelhos a serem lançados no ar. E pronto. Agora já pode revelar em quem votou.