Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Superbactérias podem vir a matar 10 milhões de pessoas por ano

GETTY

A Klebsiella pneumonia tem uma taxa de mortalidade semelhante à do ébola, embora não tenha gerado tanto destaque mediático. Caso não sejam tomadas medidas urgentes relativamente ao uso irresponsável de antibióticos, o mundo deverá vir conhecer a proliferação das bactérias multiresistentes

“Os riscos são demasiado grandes para que os ignoremos”, alerta William Hall, um dos autores de um estudo encomendado pelo Governo britânico sobre a ameaça do surgimento de superbactérias devido ao uso generalizado de antibióticos.

Se não foram tomadas medidos urgentes, as superbactérias podem vir a causar mais mortes em 2050 do que as ocorridas por cancro (8,2 milhões por ano) mais as de acidentes de viação, concluem os investigadores.

“Morrerão 10 milhões de pessoas por ano”, refere William Hall, em declarações citadas pelo “El País”. “Os riscos são demasiado grandes para que os ignoremos”, frisa.

O uso indiscriminado de antibióticos está na origem do problema levando ao surgimento de bactérias multirresistentes como a Klebsiella pneumonia, que tem “uma mortalidade acima dos 50%, semelhante à do último surto de ébola mas que não gerou atenção mediática”, refere por seu turno Pilar Ramón, assessora da Organização Mundial de Saúde, também citada pelo jornal espanhol.

Os dois técnicos participam sexta-feira na jornada que assinala em Madrid o Dia Europeu para o Uso Prudente dos Antibióticos.

A utilização de antibióticos em animais é um dos fatores a contribuir para o problema e Espanha conta com uma das taxas mais altas na Europa. A venda de antibióticos para utilização em animais cresceu 12% entre 2011 e 2014, entre os países analisados pela Agência Europeia de Medicamentos, tendo atingido as 121 miligramas vendidos por cada quilograma de carne produzida. E estes números não incluem a Espanha, onde a quantidade é de cerca de 419 miligramas.