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Sudão do Sul: Exército e rebeldes cometem atrocidades contra civis indefesos

Dezenas de mortos em confrontos entre o SPLA e rebeldes

REUTERS

Novo relatório da Human Rights Watch denuncia os ataques à população e alerta para o perigo de genocídio

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Tanto as forças do Governo como as rebeldes são acusadas pela Human Rights Watch (HRW) de terem cometido atrocidades nas cidade e região de Yei situada 150 quilómetros a sul da capital do Sudão do Sul, Juba. O relatório desta organização não governamental internacional dedicada à defesa dos direitos humanos revelou esta terça-feira detalhes sobre uma série de abusos, entre os quais se contam assassínios, violações e prisões arbitrárias, por parte das forças governamentais, e raptos, por parte dos rebeldes.

A HRW denunciou que foi ateado fogo a um camião com dezenas de pessoas presas no seu interior, que morreram queimadas. Outro grupo de civis, que seguia em comboio de viaturas fugindo da cidade de Yei, foi alvejado no final de outubro.

Nem o Governo nem os rebeldes deram ainda alguma resposta oficial às alegações, reporta a BBC, mas desde julho, quando se quebrou o ténue acordo de paz que tinha sido alcançado entre o Presidente Salva Kiir e seu ex-vice-presidente, entretanto demitido, Riek Machar, que recomeçaram os combates entre as forças opostas.

O conflito já deixou mais de dois milhões de pessoas sem casa desde dezembro de 2013 e os relatos dos ataques dão conta de repetidos episódios de violência, incluindo disparos arbitrários sobre a população indefesa, assaltos a aldeias e casas, com assassínio dos habitantes cujos corpos chegaram a ser posteiormente despejados num rio.

No passado fim de semana, os confrontos entre elementos do Exército Popular de Libertação do Sudão (SPLA, na sigla inlgesa) e os rebeldes (SPLA-IO, ou seja, Exército Popular de Libertação do Sudão Na Oposição) fizeram dezenas de mortos. Os ataques e confrontos têm-se intensificado desde julho na região sul, após os confrontos originais ocorridos em Juba. Desde então, centenas de milhares de pessoas abandonaram em fuga a região a sul.

“Está finalmente na mesa uma proposta para um embargo a armas das Nações Unidas após quase três anos de atrocidades cometidas contra os civis por grupos armados no Sudão do Sul”, disse Daniel Bekele, diretor para a defesa de África da HRW, aconselhando que “os membros do Conselho de Segurança deveriam apoiar rapidamente a medida, que poderia estancar os ataques a civis”.

Os investigadores da HRW entrevistaram mais de 70 vítimas e testemunhas em Yei entre 19 e 26 de outubro, além de representantes do Governo e agências de ajuda humanitária em Juba. O relatório sublinha que, em novembro, Adama Dieng, conselheiro especial da ONU para a prevenção de genocídio, alertou para o perigo de genocídio no Sudão do Sul.