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Irmã do Rei de Espanha pensa mudar-se para Lisboa

Iñaki Urdangarin à saída do tribunal com a sua mulher infanta Cristina

GETTY

A iminência da sentença que deverá condenar o seu marido obriga a infanta Cristina a reorganizar a vida familiar. Iñaki Urdangarín não deve conseguir evitar a prisão após o julgamento do “caso Nóos”

Dentro de poucas semanas (quase de certeza que antes do final deste ano), o tribunal da Audiência de Palma de Maiorca dará a conhecer a sua sentença relativamente ao “caso Nóos”, uma rede de corrupção e desvio de fundos públicos no valor de 6,2 milhões de euros. Entre os envolvidos no processo está Iñaki Urdangarín, de 48 anos, marido da infanta Cristina de Borbón, de 50 anos, irmã do rei Filipe VI.

Após seis meses de um processo pública que atraiu atenções nacionais e internacionais, e de mais cinco meses de deliberações das três magistradas que integram o tribunal, quase ninguém tem dúvidas de que a decisão judicial será condenatória para Urdangarín, para quem o procurador Pedro Horrach pede uma pena de 19 anos e meio de prisão.

A família Urdangarín-Borbón já assumiu que o genro do rei emérito Juan Carlos I passará uma longa temporada na cadeia. Embora se preveja a apresentação de recurso, este não interromperá a execução imediata do acórdão judicial. É a primeira vez na História de Espanha que um membro da família do rei pode ser condenado e encarcerado por um tribunal comum.

A previsível condenação de Urdangarín obrigará a família a fazer mudanças radicais na sua vida. A primeira será mudar de casa. O casal e os seus quatro filhos, entre os 11 e os 17 anos, residem atualmente em Genebra (Suíça), uma cidade extraordinariamente cara, especialmente para um aglomerado familiar com rendimentos reduzidos. Iñaki Urdangarín não tem qualquer trabalho, todos os seus bens estão embargados e as únicas receitas da família provêm do salário que a

Fundação La Caixa paga à infanta Cristina pelas suas tarefas de coordenação da atividade cultural da entidade bancária catalã: ao todo, cerca de 300 mil euros brutos por ano.

A Fundação La Caixa assume parte dos gastos da sua funcionária, como o aluguer da casa onde a família mora e o colégio onde estudam os filhos. O Estado espanhol suporta o custo da segurança da família. Juan Carlos de Borbón tem ajudado a filha nos últimos tempos, pagando do seu bolso os honorários da equipa de advogados a quem foi entregue a defesa do casal Urdangarín-Borbón.

Cristina também é acusada

É preciso recordar que a própria infanta – que, apesar do desejo explícito do seu irmão, o monarca, não renunciou aos seus direitos dinásticos – também faz parte do rol de acusados do “caso Nóos”, enquanto colaboradora necessária num delito fiscal

que envolve a empresa Aizoon, que detinha a meias com o marido. Poderá ser condenada a dois anos de prisão. Mesmo que tal venha a acontecer, é quase impossível que venha a estar atrás das grades: trata-se de uma pena menor e a infanta não só não tem antecedentes penais como está condicionada por obrigações familiares.

Sair de Genebra parece, pois, uma decisão tomada. Cristina e o marido estudam a possibilidade de fixarem residência a Lisboa, segundo informou esta semana o diário digital “El Confidencial”. A família real tem fortes ligações à capital portuguesa, dado que viveu exilada no Estoril durante parte do século XX. Tanto o atual rei como os seus pais, irmãs e tios têm muitos amigos em Portugal.

O jornal assegura que um dos amigos mais íntimos do rei emérito Juan Carlos, o príncipe Agha Kahn, que acaba de instalar a sede da sua fundação em Lisboa, já ofereceu uma ala do palacete que adquiriu há um ano para habitação da família Urdangarín. Lisboa parece a opção ideal: fica suficientemente longe dos focos de atenção mediática e, ao mesmo tempo, a uma distância que permite, com facilidade, deslocações aos arredores de Madrid, onde se especula que poderá cumprir pena o homem que já foi duque de Palma (Filipe VI retirou o título nobiliárquico à irmã em junho de 2015).

Por outro lado, os reis de Espanha, Filipe e Letizia, visitarão Portugal (Lisboa, Porto e Guimarães) durante três dias, a partir da próxima segunda-feira, na sequência de um convite oficial formulado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. O monarca espanhol retoma, com esta viagem, a sua agenda oficial de deslocações ao estrangeiro, que esteve interrompida durante cerca de um ano devido à necessidade de permanecer no país enquanto decorria a grave crise política que Espanha viveu. O país passou onze meses sem Governo, até à recondução, há um mês, do primeiro-ministro Mariano Rajoy.