Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Facebook “desenvolveu instrumentos de censura” para agradar à China

Em setembro Zuckerberg encontrou-se com o Presidente da China, Xi Jinping, e com uma série de investidores chineses

Pool Getty Images

Fontes internas citadas pelo “New York Times” dizem que software especial pode nunca vir a ser usado. Porta-voz do gigante cibernético não confirma nem desmente a existência do projeto

Três atuais e ex-funcionários do Facebook avançaram esta terça-feira ao "New York Times" que a empresa de Mark Zuckerberg tem estado a desenvolver um software especial para suprimir publicações nos murais de cidadãos em determinadas áreas geográficas da China, para responder às exigências de censura do Governo de Xi Jinping. As fontes, que pediram anonimato ao jornal, dizem que tal como outros softwares desenvolvidos pelos funcionários do gigante cibernético, também este pode nunca vir a ser aplicado.

Contactada pelo diário, uma porta-voz do Facebook recusou-se a confirmar ou a desmentir a existência deste software de censura, dizendo em comunicado que a empresa tem "dedicado algum tempo a entender e a aprender mais" sobre a China e que ainda nenhuma decisão foi tomada quanto à estratégia a seguir no país.

A Fundação Fronteira Eletrónica (EFF, na sigla inglesa), um grupo da sociedade civil dedicado a controlar o respeito pela privacidade dos cidadãos em linha, diz que o projeto denunciado pelos três funcionários do Facebook é "extremamente perturbador". À BBC, a analista de políticas globais da EFF deu os parabéns aos denunciantes "por chamarem a atenção" do "New York Times" para estes planos. "É muito bom saber que há pessoas de princípios ainda a trabalhar" no Facebook, sublinhou Eva Galperin.

Desde 2009 que a única forma de aceder ao Facebook na China é através de uma rede virtual privada, um software especificamente desenvolvido para "enganar" as autoridades sobre a real localização dos utilizadores e para contornar as restrições locais de acesso à internet. Neste momento, refere o jornal, a empresa que já conta com 1,8 mil milhões de utiliadores ativos, está fortemente empenhada em expandir-se para outros partes do globo que não se incluem na lista dos seus atuais mercados.

Nas economias emergentes como a China, tal implica experiências com novas tecnologias e softwares que permitam a utilização da rede social em áreas rurais. No caso chinês, o site estará no mínimo a considerar aceder a algumas das exigências do regime, que monitoriza em larga escala as atividades dos seus cidadãos na internet.