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Os russos voltaram mas correu tudo bem

Imagem divulgada em novembro de 2014 pela Força Aérea Portuguesa numa altura em que foram realizadas diversas interceções de bombardeiros russos em poucos dias

D.R.

Em finais de outubro passaram por Portugal com um porta-aviões e esta semana voltaram a dar um ar da sua graça com os bombardeiros de longo alcance

Carlos Abreu

Jornalista

Numa época marcada por uma intensa retórica belicista entre a NATO e a Rússia, sempre que navios e aviões do país de Vladimir Putin se aproximam das fronteiras da Aliança Atlântica os media ocidentais não resistem em alarmar as opiniões públicas. Foi assim em outubro, com a deslocação da unidade aeronaval russa rumo ao Mediterrâneo, e agora que foi conhecida a aproximação dos bombardeiros pesados Tupolev TU-95.

Ora bem, sempre que tal acontece, manda a doutrina da NATO que vasos de guerra e caças dos Estados-membros da Aliança, de que Portugal é país fundador, mantenham os russos debaixo de olho. Mais por se constituírem como uma ameaça para o meio ambiente ou para a circulação no espaço aéreo internacional, do que para a segurança e defesa coletiva, asseguram com muita ironia à mistura algumas fontes militares contactadas pelo Expresso.

Com efeito, no caso dos possantes Tupolev TU-95, a Força Aérea Portuguesa (FAP) confirma estar mais preocupada com o facto de não trazerem ligados os equipamentos que permitem a aeronaves civis perceberem que estão por perto gigantes dos céus, os chamados transponders, do que com qualquer outro aspeto.

Mas manda a NATO que, quando as tripulações não respondem às chamadas dos controladores aéreos militares portugueses (no Comando Aéreo em Monsanto, Lisboa), ao seu encontro siga uma parelha de caças F-16 em alerta permanente, 24 horas por dia, 365 dias por ano, na Base Aérea n.º 5 em Monte Real, Leiria. E foi o que aconteceu na madrugada de quarta para quinta-feira da semana passada.

Tal como em 2014, também por esta altura, as duas aeronaves russas voavam no sentido norte-sul até à zona de Sagres, onde deram meia volta. Informa a FAP que, apesar de não responderem aos contactos efetuados via rádio, também não manifestaram qualquer tipo de hostilidade, tendo sido acompanhados pelos F-16 até deixarem o espaço aéreo de responsabilidade portuguesa, jamais tendo violado a soberania nacional. Ou seja, os russos voltaram mas correu tudo bem.