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Oposição sul-coreana quer destituir a Presidente

Jean Chung/GETTY

O maior partido da oposição da Coreia do Sul vai pedir a destituição da Presidente Park Geun-hye devido ao escândalo de corrupção e tráfico de influências que envolve Choi Soon-il, a amiga de Park e considerada a “Rasputine” sul-coreana.

A decisão do Partido Democrático (Minjoo) surge após a procuradoria da Coreia do Sul ter considerado que a Presidente Park é cúmplice do escândalo de corrupção, conhecido como “Choogate” que tem também uma dimensão de culto xamanista.

“Decidimos juntar esforços com os movimentos cívicos, outros partidos de oposição e até membros do partido Saenuri no poder que querem destituir Park”, anunciou o porta-voz do Minjoo. Ki Dong-min acrescentou ainda que o partido vai formalmente avançar com o processo logo que exista “grande possibilidade” de o Parlamento aprovar a iniciativa.

Para já, desconhece-se qual o modelo formal que a oposição vai adotar para iniciar o processo de destituição, moroso e difícil sem garantia de resultados. Tanto mais que, segundo a Constituição sul-coreana, um chefe de Estado em funções só pode ser investigado por crimes de alta traição.

Em todo o caso, os membros do Partido Democrático votaram por unanimidade a criação de um grupo de trabalho para analisar as questões legais do processo.

Outros dois pequenos partidos de oposição também já anunciaram que querem afastar Park, mas não foram mais além do que declarar intenções. Mas a popularidade da presidente está ao mais baixo nível de sempre desde a eclosão do escândalo em finais de outubro. Milhares de pessoas têm saído às ruas para pedirem a demissão de Park por a considerarem “um fantoche”.

O próprio novo primeiro-ministro Kim Byong-joom (nomeado pela presidente no ínicio do mês) sugeriu que Park abandone o partido Saenuri, para diminuir o embaraço. O mesmo Kim que na altura admitiu também à agência Yonhap ser possível abrir uma investigação sobre a relação entre Park e a amiga.

O “Choogate” foi revelado no final de outubro pela cadeia de televisão JBTC e, além da prisão de Choi e de vários acessores presidenciais já levou a uma remodelação do governo com a nomeação de um novo primeiro-ministro.

Financiamentos para o cavalo da filha

Em causa está uma série de abusos de confiança feito por Choi Soon-il, suspeita de ter jogado com a sua proximidade a Park para obter dos grandes “chaebol” (conglomerados industriais) financiamentos no valor de 77400 milhões de wons (cerca de 68 milhões de euros) para duas fundações geridas por si. Verbas que seriam desviadas para empresas fantasma no país e na Alemanha, onde entre a dúzia de sociedades que segundo a imprensa Choi detém na Alemanha, uma terá assegurado o financiado a carreira desportiva de sua filha, Chun Yoo-ra, cavaleira de “dressage” e medalha de ouro nos Jogos Asiáticos.

Mas as supeitas que recaem sobre a acessora pessoal, apelidada pela imprensa de “Rasputine coreana” vão desde a nomeação para altos cargos na administração de pessoas da sua confiança à influência em matéria legislativa. Por saber está igualmente a dimensão da vida empresarial de Choi e a origem dos vultuosos financiamentos feitos em setores como o imobiliário e a construção.

A estranha mistura entre amizade, culto xamanista, corrupção e assuntos de Estado resultantes da entre a Presidente Park e Choi faz lembrar uma crise idêntica passada há anos com os mesmos personagens. Choi Soon-il é filha de Choi Tae-min um líder pseudo-cristão que já era amigo e guia espiritual do pai da atual presidente, Park Chung-hee, que foi chefe do Estado de 1961 e 1979. Uma amizade que já então era criticada por muitos políticos sul-coreanos.