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Donald Trump condena extrema-direita norte-americana e sonha com a paz na Palestina

“Não quero alimentar esse grupo e repudio o grupo” disse o Presidente norte-americano eleito em entrevista ao The New York Times, referindo-se ao movimento de extrema-direita 'alt-right', recém-surgido nos Estados Unidos

LARRY W. SMITH / EPA

O Presidente norte-americano eleito, Donald Trump, condenou esta terça-feira o movimento supremacista "alt-right" que saudou a sua eleição, sublinhando que não pretendia alimentar tais ideias, e negou que o seu conselheiro estratégico Steve Bannon seja de extrema-direita.

"Condeno-os: repudio e condeno [o movimento extremista 'alt-right'], declarou Trump, em entrevista concedida ao diário The New York Times, quando instado a comentar uma conferência em que a sua vitória eleitoral foi celebrada com saudações nazis.

"Não quero alimentar esse grupo e repudio o grupo", disse o polémico magnata do imobiliário nova-iorquino, depois de emitir, durante toda a campanha, comentários racistas, xenófobos e misóginos.

Quanto a Bannon, que lidera a sua recém-nomeada equipa de estrategas, Trump afirmou, segundo um 'tweet' publicado pela jornalista do New York Times Maggie Haberman: "Se eu achasse que ele era racista ou do 'alt-right' ou alguma dessas coisas, nem sequer pensaria em contratá-lo".

Steve Bannon, de 62 anos, foi até há muito pouco tempo o diretor do Breitbart, um site de informação que serve de caixa-de-ressonância ao movimento de extrema-direita 'alt-right', recém-surgido nos Estados Unidos.

Ele mesmo definiu o site como "uma plataforma para o 'alt-right'", numa entrevista ao site Mother Jones.

"Seria um enorme feito"

Durante a entrevista ao The New York Times, Donald Trump disse ainda que gostaria de ser aquele que "conseguirá a paz entre Israel e a Palestina".

"Seria um enorme feito", afirmou Trump, cuja proposta para reconhecer Jerusalém como capital de Israel provocou a cólera dos palestinianos.

O milionário republicano acrescentou que o seu genro Jared Kushner, o marido da sua filha Ivanka, poderia ter um papel nas conversações de paz.

Kushner, empresário e investidor, foi um conselheiro próximo do magnata durante a campanha eleitoral.

Depois da eleição de Trump, Kushner exigiu ter acesso aos relatórios de segurança diários da Casa Branca, e esteve presente no encontro do presidente eleito com o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe a 17 de novembro, a sua primeira reunião com um dirigente estrangeiro.

A direita israelita mostrou-se particularmente satisfeita com a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais norte-americanas de 8 de novembro, e preveem o anúncio de um retomar da colonização de territórios palestinianos ocupados por Israel, e mesmo o fim da ideia de um Estado Palestiniano independente.

O atual secretário de Estado norte-americano John Kerry multiplicou esforços durante meses para fazer avançar as conversações de paz entre Israel e os palestinianos, mas sem sucesso. As conversações diretas entre as duas partes estão paradas há dois anos e meio.