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Internacional

Presidente da Coreia do Sul envolvida em escândalo de corrupção

Getty Images

Park Geun-hye foi considerada cúmplice no caso que envolve a sua maior amiga e dois dos seus assessores. Fuga de informação classificada, abuso de poder e a prática de cultos xamânicos são outras das acusações

A procuradoria da Coreia do Sul considerou este domingo que a Presidente Park Geun-hye foi cúmplice do escândalo de corrupção que envolve a sua maior amiga, Choi Soon-sil, um caso que tem abalado o país nas últimas semanas. Em causa está um processo de corrupção, a que aparecem também ligados dois assessores da chefe de Estado.

Choi Soon-sil foi formalmente acusada de “abuso de poder, coação e tentativa de fraude”. Não é tudo. As alegações incluem a prática de cultos xamânicos e fuga de informação classificada, com relatos de empresas pressionadas para contribuirem para determinadas fundações, cujos fundos ajudaram ao enriquecimento desmesurado de Soon-sil.

“A equipa de investigação especial concluiu que, com base nas evidências reunidas até ao momento, a Presidente agiu com um grau considerável de cumplicidade com Choi Soon-sil e os assessores An Chong-bum e Jeong Ho-seong”, afirmou em conferência de imprensa Lee Young-ryeol, chefe da Procuradoria do Distrito Central de Seul.

Habituada à proliferação de processos de corrupção, o que neste caso tem gerado mais indignação na opinião pública sul-coreana é a pouco vulgar influência que Choi Soon-sil mantém sobre a Presidente do país, a ponto de tudo controlar, desde o guarda-roupa a matérias políticas, incluindo a orientação espiritual.

Os investigadores pretendem ouvir a Presidente ainda esta semana, depois de os advogados de Park Geun-hye (que tem imunidade legal) terem adiado a sua audição, alegando que precisavam de mais tempo para se prepararem. Até agora, a reação oficial é que as acusações à chefe de Estado não passam de “imaginação” e “fantasias”.

A avaliar pelas notícias publicadas, a amiga da Presidente e os assessores acusados terão conseguido benefícios pessoais que ultrapassam os 70 milhões de dólares (mais de 66 milhões de euros).

Os recentes desenvolvimentos fragilizam a posição de Park Geun-hye, estando a crescer – em número e dimensão – as manifestações que exigem que a Presidente se demita. No passado dia 12, uma concentração popular reuniu cerca de um milhão de pessoas.

A ligação entre Geun-hye e Soon-sil é antiga. Remonta a 1974, quando a mãe da atual Presidente foi assassinada por um espião da Coreia do Norte que tentou matar o seu pai, Park Chung-hee, então líder militar. Park Geun-hye, que tinha 22 anos na altura e estudava na Europa, voltou para a Coreia do Sul e acabou por conhecer um pseudolíder cristão, fundador Da Igreja da Vida Eterna.

Choi Tae-min, pai da que viria a ser a sua melhor amiga, convenceu-a então de que a alma da mãe o procurara e lhe pedira para guiar a filha. Tornou-se o seu mentor, função que mais tarde Choi Soon-sil assumiu, estendendo a sua influência até aos domínios políticos e aos assuntos de Estado.

A 15 meses do final do mandato, a Presidente sul-coreana está mesmo em maus lençois. Caso resigne, o país terá de convocar eleições num prazo máximo de 60 dias.