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Nos Estados Unidos há um software para prever crimes. Mas muitos questionam o PredPol

Spencer Platt/GettyImages

Aplicação recorre a estatísticas policiais sobre crimes passados para definir os potenciais locais de risco no futuro, mas há estudos que a consideram um risco para o agravamento do preconceito racial, por exemplo. O debate é aceso e atual

Lançado em 2012, o PredPol é um software usado pela polícia para prever crimes. É costume ser associado ao filme “Minority Report”, mas o sistema é real e tem alguma popularidade nos Estados Unidos, onde 20 das 50 maiores forças policiais do país já o utilizam nas esquadras. Apesar disso, tem sido alvo de muitas críticas e provoca aceso debate.

Em causa está não só a real eficácia da aplicação, mas o potencial efeito que a sua utilização possa representar, por exemplo, para o agravamento do preconceito racial ou na aplicação das liberdades individuais.

Um estudo publicado este mês na revista “Significance” conclui que promove o racismo. Ao recorrer a estatísticas policiais sobre crimes passados para definir os potenciais locais de risco no futuro, o software - perceberam os investigadores - teria, no caso apreciado de Oakland, enviado agentes “desproporcionalmente” para bairros maioritariamente habitados por negros.

Há quem cite outros resultados. A polícia do Kansas e a de Chicago mantêm listas com centenas de nomes identificados pelo algoritmo do PredPol como previsíveis criminosos ou vítimas de violência envolvendo armas. Para isso contribuíram variáveis como as detenções, a pertença a gangues e outros registos considerados pertinentes, mantendo a polícia estas pessoas debaixo de olho.

No início deste ano, a polícia de Chicago sustentou que as listas têm toda a validade. Mais de 70% dos cidadãos mortos a tiro e 80% dos detidos por envolvimento em tiroteios estavam identificados nos documentos.