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Nem os portugueses salvaram Nicolas Sarkozy

Com a sua derrota clara na primeira volta das primárias da direita e do centro, o antigo Presidente chegou ao fim da sua carreira política. Nicolas Sarkozy tentou tudo para ganhar e fez campanha em todo o lado. Por exemplo, foi o único dos sete candidatos que foi à rádio portuguesa de Paris, para, numa entrevista, tentar conquistar o voto de centenas de milhares de portugueses com a dupla nacionalidade ou franceses de origem lusa. Ficou em 3.º lugar, largamente atrás de François Fillon e Alain Juppé

O antigo Presidente Nicolas Sarkozy perdera nas presidenciais, em 2012, para o socialista François Hollande e regressou à política ativa com a forte convicção de que seria de novo o candidato da direita e que voltaria a ser chefe do Estado em 2017. Foi eliminado com estrondo logo na primeira volta, este domingo, pelos militantes e simpatizantes da direita e do centro que se mobilizaram em força para as primárias – cerca de quatro milhões de votantes.

Com os votos quase todos contados, Sarkozy apenas registava 20,7% contra 28,4% para Alain Juppé e 44,2% para François Fillon, ambos antigos chefes de Governo.

Na segunda volta, no próximo domingo, Fillon deverá ganhar facilmente o duelo com Juppé porque a sua vitória na primeira volta é inequívoca e porque também Sarkozy e Bruno le Maire (2,4%), apelaram aos seus apoiantes para votarem nele.

François Fillon, que foi primeiro-ministro durante o quinquénio presidencial de Nicolas Sarkozy (2007/2012), é um político calmo mas claramente de direita, ao contrário de Juppé, que é mais moderado. Defende o fim das 35 horas e o seu programa económico é marcado pelo rigor e o apoio claro às empresas através da diminuição de impostos. “Fillon é o mais pró-business dos candidatos da direita”, diz ao Expresso o franco-português Pascal de Lima, economista e conhecido comentador em França.

Nicolas Sarkozy tentou tudo para ganhar. Foi a todo o lado tentar angariar votos e foi, por exemplo, o único dos sete candidatos que se deslocou à rádio Alfa, a emissora portuguesa de Paris, para dizer, numa entrevista de 20 minutos, na passada segunda-feira: “Adoro Portugal e a integração dos portugueses na sociedade francesa é exemplar”. De nada lhe valeu este esforço. Morreu politicamente este domingo, porque a sua própria família política o abandonou.

As eleições presidenciais francesas, a duas voltas, decorrem em abril e maio do próximo ano, com candidatos de todos os campos políticos, da extrema-esquerda à extrema-direita. A vitória de Fillon foi uma surpresa e desmentiu as sondagens, o que também poderá vir a acontecer brevemente no campo dos socialistas, onde por agora reina a confusão, a divisão e a incerteza. O PS francês está em crise e em grandes dificuldades a pouco tempo das suas primárias, que deverão ter lugar em janeiro.