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Aviso de McCain para Trump: “Nem pense que vai retomar a tortura”

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“Estou-me nas tintas – nós não vamos ter afogamentos simulados”, afirmou o senador republicano responsável pelo comité dos serviços armados norte-americanos, a propósito da intenção manifestada pelo Presidente eleito de reintroduzir práticas de tortura nos interrogatórios a suspeitos de terrorismo

“Se [alguma instituição estatal] começasse a utilizar o afogamento simulado, juro-vos que muitos de nós iríamos de imediato colocá-la em tribunal. E nenhum juiz na América deixaria de dizer que estariam a violar a lei, porque agora isso é especificamente proibido por lei. De modo que estou-me nas tintas para o que Presidente dos Estados Unidos pretenda fazer, ou para o que qualquer outro queira fazer: não vamos ter afogamentos simulados, não vamos ter tortura, não vamos torturar pessoas... Isso não funciona meus amigos, isso não funciona”, afirmou este sábado John McCain.

As declarações do senador republicano, responsável pelo comité das Forças Armadas do Senado, provocaram um enorme aplauso entre a audiência que o seguia no Fórum Internacional sobre Segurança Halifax. McCain foi submetido a tortura após ter sido capturado durante a guerra do Vietname.

Durante as primárias no seu partido, o senador criticou fortemente Donald Trump, considerando que o candidato estava “a atirar para o ar uma série de disparates”, referindo-se às suas posições anti-imigração. Trump ripostou declarando que não considerava herói de guerra alguém que se deixou apanhar pelo inimigo. Após a sua vitória nas primárias, McCain chegou a apoiar Trump na corrida presidencial, tendo posteriormente recuado, em sequência das polémicas notícias sobre os alegados assédios sexuais cometidos pelo candidato republicano.

A prática de afogamento simulado foi levada a cabo pelas forças norte-americanas nos interrogatórios a suspeitos de terrorismo, após as alterações legislativas impostas pelo então Presidente George W. Bush, em sequência dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Nas declarações de sábado, McCain considerou que o afogamento simulado, assim como outras formas de tortura, violam a Convenção de Genebra e a lei norte-americana, acrescentando que tal colocaria também em causa “a superioridade moral” norte-americana: “Meu Deus, o que dirão sobre a América pelo facto de nós irmos submeter pessoas a tortura?”

Entretanto, o vice-presidente eleito Mike Pence já reagiu, frisando que essa possibilidade não está posta de lado. “O Presidente Donald Trump vai focar-se na confrontação e derrota do radicalismo islâmico terrorista, que representa uma ameaça a este pais”, afirmou à “Face the Nation”. “Vamos ter um Presidente que nunca dirá o que nunca iremos fazer”, acrescentou.