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Nicolas Sarkozy eliminado das presidenciais francesas

POOL/ Getty Images

O ex-chefe de Estado ficou em terceiro lugar nas eleições primárias do centro-direita. A segunda volta será disputada pelos antigos primeiros-ministros Alain Juppé e François Fillon.

Fracassou com estrondo a tentativa de Nicolas Sarkozy de voltar a ser Presidente de França. O antigo chefe de Estado reconheceu a derrota nas eleições primárias da direita e apoiará o seu ex-primeiro-ministro François Fillon (2007-2012), que passou à segunda volta – a disputar dentro de uma semana – com o também ex-chefe do Governo Alain Juppé.

“Tenho enorme estima por Alain Juppé, mas sinto-me mais próximo das opções políticas de François Fillon”, disse Sarkozy depois de ter obtido 21% dos votos, segundo contagem parcial, contra os 28,2% de Juppé e os 44,1% de Fillon (números da agência Reuters, contadas quase 9000 das mais de 10000 mesas de voto). “Não sinto amargura nem tristeza e desejo o melhor para o meu país, para os meus concidadãos e para quem vier a liderar este país que tanto amo”, acrescentou, anunciando em seguida que se retira da vida política.

Os restantes candidatos tiveram votações bem menores, entre os cerca de quatro milhões de votantes que se deslocaram às urnas: 2,5% para o ex-ministro Bruno Le Maire e para Nathalie Kosciusko-Morizet, candidata derrotada à Câmara de Paris há dois anos; 1,4% para o democrata-cristão Jean-Frédéric Poisson e 0,3% para Jean-François Copé, deputado na Assembleia Nacional.

Sondagens erraram

Os resultados destas primárias – as primeiras organizadas pela direita francesa – foram surpreendentes, já que quase todas as sondagens previam que Juppé (também presidente da Câmara de Bordéus) fosse o mais votado, seguido de Sarkozy. Agora, Juppé vira a artilharia para Fillon. “Vamos repetir que Fillon quer destruir o modelo social, enquanto Juppé quer reforma-lo”, afirmava ao diário “Le Monde”, há minutos, um apoiante deste último. Fillon prometeu eliminar 600 mil postos da função pública.

Juppe prefere “fazer reformas equitativas de que todos os franceses possam tirar benefícios”. “Quero reformas modernas que preparem o futuro em vez de cultivar a nostalgia do passado”, afirmou o candidato, após a contagem de votos, num claro ataque à sua direita. Terá o apoio da derrotada Nathalie Kosciusko-Morizet.

Na sede da campanha de Fillon, ouviram-se gritos de euforia e “Fillon Presidente!”. “Do fundo do coração, obrigado. O nosso povo quer falar, escolher, envolver-se”, afirmou o candidato, que obteve ainda o apoio do eliminado Bruno Le Maire. O jornal “Libération” considera que, se vier mesmo a ser escolhido, Fillon abrirá espaço à candidatura centrista de Emmanuel Macron, antigo ministro do Governo socialista mas à direita do Presidente François Hollande.

Incógnita à esquerda

As eleições presidenciais propriamente ditas estão marcadas para 23 de abril de 2017; a haver segunda volta, será a 7 de maio. Além dos candidatos mencionados acima, já anunciaram a intenção de concorrer Marine Le Pen (Frente Nacional, extrema-direita, a preferida dos franceses segundo os estudos de opinião), François Bayrou (Movimento Democrático, centro), Nicolas Dupont Aignan (França de Pé, direita), Yannick Jadot (Verdes), Jean-Luc Mélenchon (Partido de Esquerda), Nathalie Artaud (Luta Operária), Philippe Poutou (Novo Partido Anticapitalista).

No Partido Socialista, de Hollande e do primeiro-ministro Manuel Valls, ainda não há candidato designado. Com primárias marcadas para 22 de janeiro, existem nove candidatos declarados, o mais notório dos quais é Arnaud Montebourg, ex-ministro da Economia. Quer Hollande quer Valls são vistos como potenciais aspirantes.