Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Trump escolhe para conselheiro de segurança nacional general que defende prisão de Clinton

Na convenção republicana em julho, Flyyn defendeu um estreitar das relações EUA-Rússia

Chip Somodevilla

A equipa do Presidente eleito dos EUA confirma que cargo foi oferecido a Michael Flynn mas recusa-se a confirmar se o general na reforma aceitou o convite. Foto de encontro entre Trump e Shinzo Abe, o primeiro chefe de Governo a encontrar-se com o próximo líder dos EUA, mostra que Flynn esteve presente nessa reunião, que teve lugar na Trump Tower, em Nova Iorque, na quinta-feira. Entre os momentos controversos da carreira do general conta-se um tweet a dizer que "ter medo dos muçulmanos é racional"

O posto de conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos foi oferecido a Michael Flynn, um ex-chefe dos serviços secretos do Exército norte-americano que se tornou num dos maiores críticos da administração Obama e que, durante a campanha eleitoral de Donald Trump, apoiou publicamente a sugestão feita pelo candidato republicano de prender a rival democrata, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton.

A informação foi avançada por uma fonte da equipa de Trump aos media norte-americanos. A fonte confirma que o cargo foi oferecido a Flynn, mas não diz se o general de 57 anos aceitou ou não esse convite. Contudo, uma fotografia divulgada ontem do encontro de Trump com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, mostra que o político republicano, que dirigiu a Agência de Serviços Secretos da Defesa (DIA, na sigla inglesa) entre 2012 e 2014, esteve presente nessa reunião, a par da filha mais velha de Trump, Ivanka, e do seu marido, Jared Kushner (que fontes próximas da equipa de transição de Trump dizem que é quem está a dar as cartas e a liderar uma "purga estalinista" de pessoas incómodas).

Enquanto conselheiro de segurança nacional, Flynn trabalhará com a Casa Branca no desenvolvimento de políticas externas e militares e terá acesso frequente ao novo Presidente, que não tem qualquer experiência política nem no âmbito da segurança nacional. Durante a corrida eleitoral, o general distanciou-se de outros conselheiros de segurança que condenaram a atitude e a retórica do candidato republicano, apoiando Trump em comícios e eventos de campanha e dando força à exigência do agora Presidente eleito de que Clinton seja presa por ter usado um servido de email privado durante os quatro anos em que ocupou o cargo de chefe da diplomacia dos EUA.

Num discurso inflamado durante a Convenção Nacional Republicana em julho, que concluiu as primárias republicanas e confirmou a nomeação de Trump para disputar a presidência, Flynn reforçou ainda a sua posição face às ameaças de grupos jiadistas como o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), alinhando-se com Trump sobre a necessidade de o exército norte-americano ter uma "atitude mais agressiva" e de Washington estreitar as relações com a Rússia.

Flynn abandou o cargo de diretor da DIA há dois anos por causa de conflitos com membros da administração Obama, entre ele com James Clapper, o diretor da CIA que na quinta-feira anunciou que não vai continuar no cargo depois de 20 de janeiro, dia em que Trump toma posse sucedendo ao atual Presidente. Controversa figura da política norte-americana, Flynn tem sido alvo de críticas pelos colegas republicanos e pela oposição democrata por aparecer regularmente em programas do RT, canal estatal russo, e por ter participado numa gala recente da televisão pública russa, ficando a dois lugares de distância do Presidente, Vladimir Putin. O cargo que lhe terá sido oferecido na nova administração não precisa de confirmação do Senado.

Este ano, o general lançou um livro, "The Field of Fight: How We Can Win the Global War Against Radical Islam and Its Allies", onde diz que "não é apoiante do chamado politicamente correto", um dos "inimigos" mais citados por Trump e os seus apoiantes ao longo da campanha eleitoral. Em fevereiro, causou controvérsia no Twitter ao escrever que "ter medo dos muçulmanos é RACIONAL". Meses depois, em julho, partilhou uma publicação antissemita posta a circular por apoiantes de Trump cujo alvo era Clinton e a sua campanha, no qual a equipa democrata era gozada por acusar a Rússia de aceder ilegalmente aos sistemas informáticos do partido para influenciar os resultados das eleições a favor de Trump. "A CNN está implicada. 'A URSS é a culpada!' Já não, judeus, já não", escreveu. Acabaria por apagar esse post, pedindo desculpa pelo "erro".