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“Trump é um líder em quem posso confiar”, diz primeiro-ministro do Japão

Joe Raedle

Shinzo Abe tornou-se ontem o primeiro líder estrangeiro a encontrar-se com o Presidente eleito dos Estados Unidos

O primeiro-ministro japonês encontrou-se na quinta-feira à noite com o Presidente eleito dos EUA, Donald Trump, descrevendo aos media um encontro de 90 minutos "cândido" e numa "atmosfera quente" na Trump Tower, em Manhattan, e garantindo que tem "muita confiança" no futuro líder dos Estados Unidos.

Durante a campanha para as eleições de 8 de novembro, Trump apostou numa retórica que pôs em causa as futuras relações com aliados tradicionais dos EUA como o Japão, ao sugerir que também esse país deve começar a pagar pelo apoio e proteção norte-americanos e ao garantir que vai anular a Parceria Transpacífica (TPP) que foi alcançada em fevereiro entre Barack Obama, Shinzo Abe e os líderes de outros 11 países do Pacífico — um acordo comercial que já foi aprovado pelo parlamento nipónico mas que está ainda a aguardar ratificação, e que o líder considera incontornável para contrariar o crescente poder económico da China.

Ontem, a caminho do Peru para a cimeira da APEC (Cooperação Económica Ásia-Pacífico), Abe fez uma paragem em Nova Iorque e tornou-se no primeiro líder de um Governo estrangeiro a encontrar-se pessoalmente com Trump desde que este derrotou Hillary Clinton nas presidenciais. De acordo com fontes da comitiva nipónica, a reunião foi sugerida pelo próprio Abe no telefonema de parabéns ao Presidente eleito dos EUA.

No rescaldo do encontro, o chefe do Executivo japonês disse que tem "grande confiança" no futuro líder norte-americano. "Conseguimos ter uma conversa muito cândida durante um período substancial de tempo, numa atmosfera quente. Acredito que sem confiança entre as duas nações, a aliança nunca funcionaria no futuro e, como resultado da reunião de hoje, estou convencido de que Trump é um líder em que posso depositar grande confiança." Nem Abe nem Trump avançaram mais pormenores sobre que assuntos foram abordados nesse encontro.

Durante a corrida eleitoral, e depois de décadas de esforlos pela não-proliferação, o candidato republicano chegou inclusivamente a sugerir que o Japão e a Coreia do Sul devem desenvolver armas nucleares para contrariar a ameaça dos mísseis norte-coreanos. Abe recusou-se a comentar se esse ou outro dos assuntos mais relevantes que envolvem diretamente o Japão foram tópicos da conversa, dizendo apenas que ambos aceitaram encontrar-se novamente para aprofundar esta primeira reunião depois de Trump tomar posse a 20 de janeiro.

O encontro não escapou a polémicas, após uma fotografia ter sido divulgada nas redes sociais mostrando que a filha mais velha de Trump, Ivanka, e o seu marido e genro do Presidente eleito, Jared Kushner, estiveram presentes no encontro. A par das acusações de conflitos de interesses por ter nomeado três dos cinco filhos para a sua equipa de transição, o futuro líder dos EUA tem sido criticado por não respeitar os protocolos nem as normas, como o facto de se recusar a ser acompanhado por comitivas de jornalistas em atos oficiais e de estar a garantir ao genro um enorme poder de influência na futura administração.

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