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Internacional

Na Índia morre-se por se tirar selfies em linhas de comboio, na América e Rússia por se posar com armas

Não parou de aumentar ao longo dos últimos anos o número de pessoas que morrem por causa de selfies perigosas. Os cenários trágicos mudam de país para país. A Índia tem o recorde absoluto

Em 2014 há registo de 15 mortes em todo o mundo devido a selfies, em 2015 são 39 e só nos primeiros oito meses de 2016 ocorreram pelo menos 73, segundo indica um estudo publicado pela Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, e pelo Instituto Indraprasha de Informação Tecnológica, de Nova Deli, na Índia.

Hemank Lamba, estudante indiano de doutoramento, conduziu a investigação em cooperação com uma equipa da universidade norte-americana, recorrendo a técnicas para rastreamento de dados da internet e das redes sociais.

No total, conseguiram confirmar 127 mortes ocorridas desde março de 2014, com a Índia a surgir destacadíssima com 76 destes incidentes letais, seguida pelo Paquistão, com nove, Estados Unidos com oito e Rússia com seis.

As pessoas são capazes de efetuar enormes esforços, correndo grandes distâncias e submetendo-se a riscos, para se fotografarem em situações que impressionem os seus seguidores nas redes sociais. A causa predominante nas mortes identificadas são quedas de grandes altitudes, mas as circunstâncias tendem a mudar de país para país.

Na Índia ocorrem mais mortes devido a acidentes com comboios, o que Hemank e a sua equipa justificam com “a crença de que posar junto ou sobre linhas de caminhos de ferro com o seu melhor amigo é um sinal de romantismo ou de uma amizade douradora”.

Já nos Estados e na Rússia existe uma grande proporção de mortes devido a selfies com armas, algo que os investigadores associam à legislação mais permissiva relativamente ao armamento nestes dois países.

Para o recorde da Índia terá contribuído o número total da sua população, 1,25 mil milhões de pessoas. A China é contudo o país mais povoado do mundo, com 1,37 mil milhões de pessoas, mas são quatro os registos de mortes relacionadas com selfies no país.

Hemank pretende desenvolver com a sua equipa uma aplicação que permita alertar quem está a tentar tirar uma selfie quando se encontre em circunstâncias perigosas, recorrendo para tal a informações de geolocalização e reconhecimento visual de partes da imagem captada que sugiram o perigo.

Os investigadores dizem ter testado três mil selfies com um algoritmo que desenvolveram e afirmam ter conseguido 70% de êxito na identificação de fotografias perigosas.