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Lituânia avisa que Putin pode “testar a NATO” antes da tomada de posse de Trump

Há um grande nervosismo na aliança militar e em particular nos países do Báltico e no leste europeu sobre os próximos passos da Rússia perante a eleição de Donald Trump para liderar a próxima administração norte-americana

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Lituânia disse esta quinta-feira em entrevista à BBC que tem "muido medo" que a Rússia aproveite o período de transição do poder nos Estados Unidos para "testar a NATO" nos países do Báltico e aumentar o nível de interferência na cidade síria de Alepo antes de Donald Trump, Presidente eleito dos EUA que derrotou Hillary Clinton nas eleições de 8 de novembro, tomar posse a 20 de janeiro.

Ao canal britânico, Linas Linkevicius disse que a geografia e história do seu país, ex-membro da União Soviética que atualmente integra tanto a NATO como a União Europeia e que partilha uma fronteira terrestre com o enclave russo de Kaliningrad no Mar do Báltico, são suficientes para justificar a sua visão negra das intenções russas num momento de incerteza e tensões entre a Rússia e os países que em tempos integraram a sua esfera de influência durante a Guerra Fria.

A capital lituana, Vilnius, é palco de um grande mural que ganhou destaque durante as eleições presidenciais norte-americanas, na qual se vê Trump e Putin abraçados a partilhar um beijo apaixonado — uma pintura sarcástica que foca a aparente proximidade do novo Presidente eleito dos EUA ao líder russo. A BBC recorda esse mural para fazer um contraponto com a postura do atual Governo da Lituânia, que diz ter razões para estar "assustado" com a eleição de Trump e o futuro da NATO, dos países do Báltico e do leste europeu.

Para Linkevicius, Putin representa uma ameaça militar potente e imediata. "A Rússia não é uma superpotência, é um super problema", disse em entrevista à BBC. "A nova administração [norte-americana] só toma posse na segunda metade de janeiro e estou preocupado e com muito medo deste período, não só pelas regiões que estão mais próximas de nós mas também por Alepo, vamos esperar que [a cidade] não seja esmagada no terreno até lá" pela Rússia, grande aliada do regime sírio de Bashar al-Assad.

A Rússia continua a garantir que não representa qualquer ameaça e a acusar a NATO se atiçar as tensões regionais no leste do continente ao destacar tropas para perto das fronteiras partilhadas com o território russo. Para o chefe da diplomacia lituana, existe um real perigo que Putin aproveite esta altura de transição nos EUA, marcada por grande confusão na equipa próxima de Trump e por escolhas muito criticadas para altos cargos do próximo Governo americano, para testar o que a BBC define como a "preparação militar e determinação diplomática" da aliança ocidental.

Contactado pelo mesmo canal, um chefe do exército lituano, o major Linas Idzelis, ecoou as preocupações do Governo, já depois de ter transmitido internamente a ideia de que os russos estão a chegar. "É um alarme, sim. É um alarme que diz que eles estão a vir e que a ameaça está a crescer mais e mais a cada dia."

A vitória de Trump nas eleições de há uma semana e meia apanhou muitos de surpresa, depois de vários meses de sondagens a indicarem uma liderança confortável à sua rival democrata, e elevou dúvidas sobre as futuras estratégias de política externa dos EUA, em particular no que toca à NATO, por causa da retórica de campanha do empresário tornado político, que diz querer começar a cobrar aos aliados pela proteção norte-americana, dentro e fora da aliança.

Na quarta-feira, dois ex-chefes da NATO, Anders Fogh Rasmussen e Jaap de Hoop Scheffer, pediram publicamente a Trump que aceite participar numa cimeira extraordinária da aliança assim que suceder a Barack Obama em janeiro para discutir as futuras relações dos aliados e os receios de que o novo Presidente americano venha a reconhecer oficialmente a anexação da península da Crimeira por Moscovo como forma de garantir que os russos não interferem na região do Báltico.