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Primeiro encontro de Trump com um líder estrangeiro marcado para hoje

TORU YAMANAKA

Em rota para o Peru, o primeiro-ministro do Japão vai fazer uma paragem em Nova Iorque para se encontrar com o Presidente eleito dos EUA. Durante a campanha eleitoral, Trump sugeriu que também o aliado nipónico dos EUA tem de começar a pagar por proteção, caso contrário ficará por sua conta

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, vai ser o primeiro chefe de Governo a encontrar-se com Donald Trump desde que o empresário sem carreira política foi eleito Presidente dos Estados Unidos a 8 de novembro. Shinzo Abe tem planeada uma paragem em Nova Iorque esta quinta-feira a caminho de Lima, capital do Peru, onde vai participar na cimeira da APEC (Cooperação Económica Ásia-Pacífico), que estará a decorrer entre 19 e 20 de novembro. Fontes do Governo nipónico dizem que o líder quer “construir a confiança” com o Presidente eleito dos EUA e continuar a “trabalhar em conjunto pela prosperidade e a paz mundial”.

O encontro de Abe e Trump em Nova Iorque acontece num momento de profundas dúvidas sobre os planos da nova administração para a política externa, não só pelas promessas do candidato republicano durante a campanha — como a de começar a cobrar compensações financeiras aos aliados tradicionais dos Estados Unidos para garantir a sua proteção — mas também pela confusão que reina no seio da equipa de transição do Presidente eleito.

Na quarta-feira, foi noticiado que o genro de Trump, Jared Kushner, marido de Ivanka Trump, está a liderar uma “purga estalinista” de altos conselheiros que tinham sido nomeados para a política externa. No Twitter, o novo líder dos EUA, que toma posse a 20 de janeiro, garantiu que o processo está a decorrer de forma “muito organizada”.

Durante a corrida eleitoral, Trump disse que o Japão e outros aliados dos Estados Unidos, incluindo os membros da NATO, têm de começar a compensar os norte-americanos pela sua proteção, sob ameaça de retirar as tropas norte-americanas desses territórios (por causa disso, os dois ex-secretários-gerais da aliança militar pediram ontem a Trump que aceite uma cimeira extraordinária dos aliados assim que tomar posse em janeiro). Em campanha, o magnata do imobiliário e ex-estrela de reality show sugeriu ainda que o Japão e a Coreia do Sul devem ter armas nucleares e condenou a parceria transpacífica (TTP) que a administração Obama alcançou com o Japão e outros países do Pacífico para fomentar as trocas comerciais entre os dois blocos.

Promessas de campanha ainda sobre a mesa

Os detalhes da reunião que terá lugar esta quinta-feira continuam por apurar, com um representante nipónico a dizer que ainda está tudo em aberto. “Tem havido muita confusão” em torno do encontro, disse a fonte oficial do Governo de Abe à Reuters. É raro haver encontros de tão alto nível num contexto tão informal e os analistas apontam que esta paragem de Shinzo Abe em Nova Iorque tem como objetivo imediato minimizar a incerteza sobre o futuro das relações EUA-Japão. “Queremos proteger a nossa aliança com os EUA durante a transição” da era Obama para a administração Trump, disse Tetsuya Otsuru, funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, quando o encontro foi anunciado esta madrugada.

Donald Trump ainda não voltou atrás nas suas promessas de campanha de retirar as tropas norte-americanas estacionadas no Japão caso o país não comece a pagar mais pela sua presença e garantias de proteção. Atualmente, Tóquio gasta cerca de 1,7 mil mihões de dólares anuais (1,59 mil milhões de euros) para garantir proteção norte-americana, um valor que inclui os custos de gestão das bases militares dos EUA instaladas naquele país, pouco populares entre a maioria dos que vivem na zona, em particular em Okinawa, onde a maioria delas está localizada.

Um dos pontos que deverá dominar o encontro de Abe com Trump é a desconfiança de ambos em relação à China, embora as preocupações de cada um sejam distintas. O Presidente eleito dos EUA acusa Pequim de envolvimento no maior “roubo” de postos de trabalho da História dos Estados Unidos, ao explorar os acordos comerciais “terríveis” que o Governo de Obama e anteriores administrações alcançaram e que Trump quer renegociar ou anular por completo.

A inquietação do líder nipónico em relação ao vizinho prende-se com as recentes ações de Pequim no Mar do Sul da China, onde os dois países e outras nações da região continuam a disputar a soberania de uma série de ilhas e do próprio espaço marítimo, que é atravessado por importantes rotas comerciais e que terá reservas de petróleo correspondentes a 125 mil milhões de barris, segundo um estudo publicado em 2012 pela petrolífera China National Offshore Oil Corporation.

  • Primeiro encontro de Trump com um líder estrangeiro marcado para hoje

    Em rota para o Peru, o primeiro-ministro do Japão vai fazer uma paragem em Nova Iorque para se encontrar com o Presidente eleito dos EUA. Durante a campanha eleitoral, Trump sugeriu que também o aliado nipónico dos EUA tem de começar a pagar por proteção, caso contrário ficará por sua conta