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Expresso

Internacional

Pelo menos 240 refugiados morreram no Mediterrâneo na última semana

ONG SOS MEDITERRANÉE / EPA

Naufrágios nas águas que separam Europa de África provocaram mais de 4500 mortes em 2016

Mais de 240 pessoas morreram na última semana enquanto tentavam atravessar o Mediterrâneo, relataram as autoridades. O mau tempo que assola o mar não é um impedimento para os milhares de refugiados que tentam fugir da Líbia e outros países em direção à Europa.

A crise de refugiados tornou a passagem da Líbia para Itália a mais mortal no mundo, tendo já tirado a vida a mais de 4500 pessoas apenas em 2016, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Os 15 sobreviventes do naufrágio de segunda-feira chegaram à Sicília na quarta-feira, onde relataram ao ACNUR que o barco onde seguiam transportava cerca de 150 pessoas. No dia seguinte, um petroleiro italiano resgatou mais 23 pessoas de outro barco naufragado, que continha inicialmente mais de 120 pessoas.

“Éramos 122 no barco, não havia crianças com menos de 15 anos, mas estavam 10 mulheres connosco e só uma sobreviveu”, relatou um dos que escaparam à morte, “Nós esperámos dentro de água, agarrando-nos a tudo o que flutuasse para nos mantermos à superfície, mas a maioria das pessoas morreu afogada, incluindo o meu irmão mais novo. Tinha 15 anos”.

“Uma receita para o desastre”

A Organização Não Governamental de resgate Migrant Offshore Aid Station (MOAS), afirma que os esforços do Mediterrâneo nunca foram tão desafiantes como nos dias de hoje, devido à mudança de táticas dos contrabandistas, que industrializaram o processo para conseguir responder à procura das milhares de pessoas que tentam alcançar o Velho Continente.

“A combinação de mais carga e menor qualidade é uma receita para o desastre”, diz Ian Ruggier, chefe de operações da MOAS. A organização afirma que o número de mortes deve ser bastante maior do que o estimado, pois a maioria dos naufrágios não estão registados e os corpos que são arrastados até à costa da Líbia não são regularmente contados.

Mais de 340.200 migrantes e refugiados já desembarcaram na Europa apenas no ano de 2016, com a passagem da Líbia a ser a mais dominante. Um quarto das pessoas são sírias, seguidas de afegãs, nigerianas, iraquianas, eritreus e de outros países em África e no Médio Oriente.

  • Dezenas de migrantes desaparecidos no Mediterrâneo

    Autoridades líbias falam em 97 migrantes desaparecidos num barco que partira do país. Embora tenha havido um decréscimo, de 2015 para 2016, do número de migrantes que morreram no Mediterrâneo enquanto seguiam em embarcações com destino à Grécia, o número de pessoas mortas quando tentavam alcançar a Europa através da Itália mantém-se praticamente inalterável desde o ano passado